quarta-feira, 4 de outubro de 2017

8º A e B - O Segundo Reinado - 3º Bimestre (2017)

Um vídeo para descontrair:


Um vídeo sério agora:



D. Pedro II é aclamado imperador aos 15 anos de idade. A antecipação de sua maioridade, para que ele pudesse assumir o trono real, foi uma decisão tomada pelos políticos do Partido Liberal. Esta foi a única opção encontrada para se por fim ao governo regencial, que na época era visto como o provável causador das rebeliões e abalos sociais que passaram a atingir o país após a abdicação de D. Pedro I. Este feito entrou para a história como o “golpe da maioridade”.

Seu reinado, no entanto, só inicia de fato um ano depois, no dia 23 de julho de 1840, e se prolonga até 15 de novembro de 1889, quando se implanta a República. Foi um momento em que o país passou por várias mudanças internas: coibição e indulto aos movimentos revoltosos e separatistas; reorganização do cenário político, com a instituição de dois partidos; a instauração do sistema parlamentarista e a reativação do comércio internacional.

O poder do café na economia do país

O café detinha ótimas condições de plantio. O Sudeste contava com solo e clima favoráveis - Minas Gerais, após a decadência da mineração, passou a investir na plantação do café, no Rio de Janeiro ele se espalhou até Campos e ao sul do Estado chegou a Vassouras, situada no Vale do Paraíba, quando a produção voltou-se para o comércio exportador. Houve um aquecimento na economia do país, o que alimentou a ganância dos grandes proprietários rurais, que passaram a utilizar a mão-de-obra escrava em grande escala. O país passou a exportar mais do que importava, alcançando rapidamente superávit na balança comercial. Nasce uma nova classe social - apoiada pelos comerciantes -, a qual sustentava o governo imperial e detinha grande influência política. Com o advento do café formaram-se muitas cidades, surgiram novos latifúndios e conseqüentemente muitos barões do café, os quais obtiveram seus títulos de nobreza junto ao imperador. Surgiram as ferrovias e os portos de Santos e do Rio de Janeiro prosperaram, sendo até hoje os mais conceituados no Brasil.

Partidos Políticos vigentes no segundo reinado

- Partido Liberal - constituiu-se no ano de 1837, protegia os interesses dos indivíduos que formavam a classe média da sociedade urbana e comercial, a ambição dos bacharéis, os ideais políticos e sociais avançados das classes não comprometidas diretamente com a escravidão, e cuidava também do que era importante para os donos de terras.

- Partido Conservador - pregava a conservação do poder político nas mãos dos grandes donos de escravos campestres. Não defendia o caráter revolucionário ou democrático do regime. No decorrer do segundo reinado, liberais e conservadores se revezaram no poder.

Parlamentarismo e Poder Moderador

No ano de 1847 foi implantado o Parlamentarismo, forma de governo na qual o poder responsável por criar as leis – o Legislativo -, representado pelos deputados e senadores, passa a exercer um posto muito respeitado. O parlamentarismo no Brasil iniciou-se, de fato, com a instituição da presidência do corpo consultivo de ministros e quem fixava o nome do eleito era D. Pedro II. O sistema parlamentar brasileiro tinha uma característica própria, oposta ao do regime da Inglaterra – neste país o povo tinha o direito de indicar o seu parlamentar, a quem cabia optar pela escolha do primeiro-ministro e sua deposição, caso necessário. No Brasil era o presidente do conselho quem estabelecia o quadro de ministros, motivo pelo qual historicamente ficou conhecido como Parlamentarismo às avessas. D. Pedro II, que contava com o apoio do Partido Moderador, gozava de absoluto poder sobre a Assembléia, tendo força suficiente para demitir todo o ministério e escolher outro presidente do conselho, ou até mesmo diluir a Câmara e chamar novas eleições, conforme os acontecimentos políticos do momento.

Escravidão e ausência de participação popular

O governo imperial brasileiro resistia em banir o tráfico de escravos, contando com o apoio da elite. Contudo, havia tratados, normas sociais e acordos firmados neste sentido com a Inglaterra, país que, por razões econômicas, defendeu o fim do tráfico de escravos. No dia 4 de setembro de 1850, pela lei n◦ 581, o Brasil deu-se por vencido e tornou oficialmente pública a Lei Eusébio de Queirós, a qual decidiu categoricamente eliminar o tráfico de escravos para o Brasil. Os últimos escravos que para cá foram trazidos aportaram em Pernambuco em 1855.

Foi somente em 13 de maio de 1888 que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que terminou com a escravidão dos negros no Brasil. Sem a mão-de-obra escrava, a solução encontrada pelos bem sucedidos fazendeiros paulistas foi o estímulo à vinda de colonos estrangeiros, os quais introduziram o trabalho assalariado. O Brasil foi um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão.

Para entender como a Lei Áurea foi uma dos maiores 171* do mundo.

*código que faz referência ao artigo nº 171 do Código Penal Brasileiro, referente ao ato de estelionato, ou seja, enganar outras pessoas para conseguir benefícios próprios.


Declínio do Segundo reinado

A República estava surgindo aos poucos, como conseqüência de profundas mudanças econômicas, políticas e sociais que estavam ocorrendo no País. A produção de café, em virtude do desgaste do solo, decaiu no Vale do Rio Paraíba e no Rio de Janeiro. Em contrapartida, o Oeste Paulista ampliou sua produção, favorecido pelas terras roxas, adequadas ao cultivo do café. Para os grandes proprietários de terras nordestinos a monarquia já não lhes favorecia; assim o sistema monárquico foi perdendo força perante as novas pretensões políticas e sociais emergentes. As mudanças incomodaram e através de um golpe político implantou-se a República no Brasil, no dia 15 de novembro de 1889, quando o marechal Deodoro da Fonseca assumiu o governo transitório da república.


EXERCÍCIOS PARA FIXAÇÃO:

01. (FATEC) No século XIX, a Inglaterra pressionou diversos países para acabar com o protecionismo comercial e com a existência do trabalho compulsório. Esta situação culminou, em 1845, com o "Bill Aberdeen". Neste contexto o Brasil sancionou, em 1850, a "Lei Eusébio de Queirós" tratando:
a) da extinção do sistema de parceria na lavoura cafeeira;
b) da manutenção dos arrendamentos de terras;
c) da extinção do tráfico indígena entre o norte e o sul do país;
d) da manutenção do sistema de colonato na lavoura canavieira;
e) da extinção do tráfico negreiro.

02. A vida político-partidária do Segundo Reinado estava marcada pela disputa entre o Partido Conservador e o Partido Liberal. Os dois partidos se caracterizavam por, exceto:
a) defender a monarquia e a preservação do "status quo";
b) representar os interesses da mesma elite agrária;
c) possuir profundas diferenças ideológicas e de natureza social;
d) ter origem social semelhante;
e) alternarem-se no poder, com predomínio dos conservadores.

03. (UCSAL) A Tarifa "Alves Branco", de 1844, como ficou conhecido o decreto do Ministro da Fazenda, foi uma medida de caráter:
a) reformista
b) monopolista
c) protecionista
d) mercantilista
e) cooperativista

04. (UCSAL) A introdução da mão-de-obra do imigrante na economia brasileira contribuiu para a:
a) desestruturação do sistema de parceria na empresa manufatureira;
b) implantação do trabalho assalariado na agricultura alimentícia;
c) expansão do regime de co-gestão nas indústrias alimentícias;
d) criação de uma legislação trabalhista voltada para a proteção do trabalho;
e) reordenação da estrutura da propriedade rural nas áreas de produção açucareira.

05. (UBC) A Lei de Terras de 1850 garantia que no Brasil:

a) os escravos, após sua libertação, conseguissem um lote de terras para o cultivo de subsistência;
b) os brancos pobres ficassem ligados como meeiros aos grandes proprietários de terras;
c) todas as terras fossem consideradas devolutas e, portanto, colocadas à disposição do Estado;
d) a posse de terra fosse conseguida mediante compra, excluindo as camadas populares e os imigrantes europeus da possibilidade de adquiri-la.
e) n.d.a.

06. (UNIFENAS) A Questão Christie refere-se a:
a) Aliança entre Brasil, Argentina e Uruguai.
b) Atritos entre a Inglaterra e diversos países da América Latina.
c) Aliança da Inglaterra com a Argentina contra o Brasil.
d) Atritos entre a Inglaterra, Argentina e Uruguai.
e) Atritos diplomáticos entre Inglaterra e Brasil.

07. (UBC) Na Guerra do Paraguai (1865 - 1870), o Brasil teve como aliados:
a) Bolívia e Peru
b) Uruguai e Argentina
c) Chile e Uruguai
d) Bolívia e Argentina
e) n.d.a.

08. (FGV) "Será o suplício da Constituição, uma falta de consciência e de escrúpulos, um verdadeiro roubo, a naturalização do comunismo, a bancarrota do Estado, o suicídio da Nação."
No texto acima, o deputado brasileiro Gaspar de Silveira Martins está criticando:
a) a proposta de Getúlio Vargas de reduzir a remessa de lucros;
b) o projeto da Lei dos Sexagenários, do gabinete imperial da Dantas;
c) o projeto de legalizar o casamento dos homossexuais, de Marta Suplicy;
d) a proposta de dobrar o salário mínimo, de Roberto de Campos;
e) o projeto de Luís Carlos Prestes de uma "República Sindicalista".

09. (FAZU) As estradas de ferro brasileiras, no Segundo Reinado, concentravam-se, sobretudo, nas regiões de produção:
a) do fumo
b) do milho
c) do cacau
d) do café
e) do feijão

10. (FESP) Assinale a alternativa que não contém uma característica referente ao período do Segundo Reinado (1845 - 1889):
a) fim do tráfico negreiro;
b) elaboração da primeira Constituição brasileira;
c) domínio do café no quadro das exportações brasileiras;
d) início da propaganda republicana;
e) participação na Guerra do Paraguai.


Resolução:

01. E 
02. C 
03. C 
04. B
05. D 
06. E 
07. B 
08. B
09. D 
10. B

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

8º A e B - O Primeiro Reinado no Brasil - 3º Bimestre (2017)

O Primeiro Reinado - 1822/1831

Foi um período da História do Brasil marcado por sérios conflitos de interesses. De um lado os que desejavam preservar as estruturas socioeconômicas vigentes. Do outro, D. Pedro I pretendendo aumentar e reforçar o seu próprio poder, evidenciado na marca característica da Constituição outorgada de 1824: o Poder Moderador exclusivo do imperador.

A política autoritária de D. Pedro I sofreu forte oposição na imprensa e na Câmara dos Deputados. A situação daí resultante, agravada pelos problemas econômicos e financeiros do país, minaram a popularidade do imperador. Este, apesar do apoio de alguns setores da sociedade, como o Partido Português, não conseguiu reverter a crise. Assim, na madrugada do dia 7 de abril de 1831, declarou sua abdicação ao trono em favor do filho menor, o príncipe imperial D. Pedro de Alcântara.

UM VÍDEO PRA COMEÇAR:

Existem mais outros três videos que completam o primeiro reinado Link1, Link2 e Link3.

ESSE É PRA DESCONTRAIR:


AGORA, SE VOCÊ GOSTA DE UM BOM HUMOR MISTURA COM CONHECIMENTO, TEM UM PODCAST DO NERDCAST DO SITE JOVEM NERD.

SÓ PRA REMEMORAR E CONECTAR O CONTEÚDO:


1808 – Chegada de D. João à Bahia, dando início ao PERÍODO JOANINO (1808/21). Carta-régia determina a abertura dos portos brasileiros “a todas as nações amigas”. Fim do “exclusivo” metropolitano e enfraquecimento do Pacto Colonial. Passagem do Brasil para a órbita direta do capitalismo industrial inglês, em substituição ao anacrônico colonialismo mercantilista português. 

– Alvará de Liberdade Industrial, revogando as proibições impostas por D. Maria I em 1785. Medida de pouco alcance prático, dada a falta de tecnologia e de capitais no Brasil. 

– Instalação da Imprensa Régia e publicação do primeiro jornal brasileiro. 

– Criação de escolas de Medicina (primeiros cursos superiores instalados no Brasil) no Rio de Janeiro e em Salvador.


1810 - Início da pressão inglesa para extinção do tráfico negreiro no Brasil.

1815 - Elevação do Brasil à categoria de Reino Unido ao de Portugal e Algarves.

1817 – Revolução Pernambucana. Último movimento emancipacionista e o único que chegou ao estágio da luta armada.

1818 - O príncipe regente torna-se rei, com o título de Dom João VI. Criada a colônia suíça de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.

1820 - Chega ao Brasil a notícia da Revolução do Porto.

1821 – Fim do absolutismo no Brasil. D. João VI aceita submeter-se à autoridade das Cortes. Juntas Provisórias de Governo substituem os governadores das províncias (nova denominação das capitanias) nomeados pelo rei. 
– Por pressão das Cortes de Lisboa, D. João VI retorna a Portugal, deixando o príncipe-herdeiro D. Pedro como regente do Brasil. 
– As Cortes exigem o retorno de D. Pedro a Portugal.

1822 – Dia do Fico (9 de janeiro) - D. Pedro recusa-se a obedecer às Cortes e decide permanecer no Brasil. A partir daí, acelera-se o processo da Independência.

1822 – Dom Pedro proclama a independência do Brasil. (7 de setembro)


BRINQUEM UM POUCO COM O PITORESCO QUADRO DE PEDRO AMÉRICO XARÁ DE D. PEDRO I
Clique AQUI para ver no fim da postagem o comentário sobre esse obra FAKE.


Curiosidade: O quadro foi encomendado pela Família Real, que investia na construção do Museu do Ipiranga, hoje oficialmente chamado Museu Paulista, que fica em São Paulo (SP). A ideia era ressaltar a monarquia – que já estava cambaleando e caiu em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República.




Nome completo: Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon (UUUUUFA, ACABOU!!)



Primeiro reinado

O primeiro Reinado foi o nome dado para o tempo em que Dom Pedro I governou o Brasil com o titulo de Imperador. O Primeiro reinado durou apenas nove anos, teve inicio no dia 7 de setembro de 1822 e terminou em 7 de abril de 1831. O período do primeiro reinado trouxe muitos prejuízos para o país, pois ocorreram diversas crises econômicas, financeiras, sociais e políticas.


As guerras de independência

Para garantir a independência e manter a unidade territorial D. Pedro I teve que enfrentar a resistência de algumas províncias, governadas por portugueses e que se mantiveram leais às Corte portuguesas. As províncias foram a Bahia, Pará, Piauí e Maranhão.
Outra província que se opôs foi a Cisplatina. A guerra da Cisplatina, que se iniciou em 1823, só terminou em 1828 com a proclamação de sua independência ( é o atual Uruguai).
As guerras de independência contrariam a visão tradicional de que a independência brasileira foi pacífica. Em virtude da ausência de um exército nacional organizado, as guerras de independência contaram com o apoio das milícias civis - com forte participação popular- e auxílio de mercenários ingleses e franceses, destacando-se Lord Cochrane, John Grenfell, John Taylor e Pierre Labatut.

Com a derrota das forças militares contrárias à independência a unidade territorial foi mantida e D. Pedro I coroado imperador em dezembro de 1822.


O reconhecimento da independência


Depois da proclamação da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, o governo de Dom Pedro I buscou o reconhecimento internacional da emancipação brasileira. Buscar este reconhecimento era necessário para que o Brasil não ficasse isolado economicamente.
Dom Pedro I enviou diplomatas às principais nações do mundo, o primeiro país a reconhecer a emancipação de nosso país foram os EUA, em maio de 1824, na época presidido por James Monroe, que defendia a doutrina “A América para os americanos”.

Portugal reconheceu a independência do Brasil, em agosto de 1825, um ano após o reconhecimento dos EUA. O reconhecimento português abriria caminho para reconhecimento das nações amigas da ex-metrópole.

A Inglaterra somente reconheceu o Brasil depois do reconhecimento português, e pressionou o governo luso, anteriormente, para tal ação. Dom João, como rei de Portugal, exigiu uma indenização de dois milhões de libras esterlinas e o uso honorífico de Imperador do Brasil.

Depois dos EUA, Portugal e Inglaterra; Santa Fé, França e Áustria reconheceram o Brasil como país emancipado politicamente.


A Organização jurídica do Estado Brasileiro


Após a independência do Brasil, tornou-se necessário organizar o novo Estado, através de uma Constituição. Neste momento, a vida política no novo país estava dividida em dois grupos. O Partido Português, que articulava a recolonização do Brasil, e o Partido Brasileiro, dividido em duas facções: os conservadores, liderados pelos irmãos Andrada e que defendiam uma monarquia fortemente centralizada; e os liberais, que defendiam uma monarquia onde os poderes do rei fossem limitados.

No ano de 1823, uma Assembléia Constituinte - composta por 90 deputados -apresentou um projeto constitucional que mantinha a escravidão, restringia os poderes do imperador e instituía o voto censitário: o eleitor ou o candidato teria de comprovar um determinado nível de renda. A renda seria avaliada pela quantidade anual de alqueires de mandioca produzidos. Dado a isto, este projeto constitucional ficou conhecido como a "Constituição da Mandioca".
Não gostando de ter os seus poderes limitados, D. Pedro I fechou a Assembléia Constituinte. Procurando impedir sua dissolução, a Assembléia ficou reunida na noite de 11 para 12 de novembro, episódio conhecido como Noite da Agonia.

Dissolvida a Assembléia, D. Pedro convocou um grupo de dez pessoas - Conselho de Estado - que ficou encarregado de elaborar um novo projeto constitucional. O projeto será aprovado em 25 de março de 1824.


A CONSTITUIÇÃO DE 1824


A seguir, os principais aspectos da primeira Carta do Brasil:
  • estabelecimento de uma monarquia hereditária;
  • instituição de quatro poderes: poder Executivo, exercido pelo imperador e seus ministros; poder Legislativo, exercido por deputados eleitos por quatro anos e senadores nomeados em caráter vitalício; poder Judiciário, formado por juízes e tribunais, tendo como órgão máximo o Supremo Tribunal de Justiça e o poder Moderador, de atribuição exclusiva do imperador e assessorado por um Conselho de Estado. Pelo poder Moderador, o imperador poderia interferir nos demais poderes. Na prática, o poder político do imperador era absoluto;
  • O país foi dividido em províncias, dirigidas por governadores nomeados pelo imperador;
  • O voto era censitário, tendo o eleitor ou candidato de comprovar uma determinada renda mínima; o voto seria a descoberto (não secreto);
  • Eleições indiretas;
  • Oficialização da religião católica e subordinação da Igreja ao controle do Estado.
Assim, a Constituição outorgada em 1824, impedia a participação política da maioria da população e concentrava os poderes nas mãos do imperador, através do exercício do poder Moderador.



O excessivo autoritarismo do imperador, explicitado com o fechamento da Assembléia Constituinte e com a outorga da Constituição centralizadora de 1824, provocaram protestos em várias províncias brasileiras, especialmente em Pernambuco, palco da primeira manifestação do Primeiro Reinado. Trata-se da Confederação do Equador.


O nordeste brasileiro, no início do século XIX, encontrava-se em grave crise econômica. Somada aos ideais revolucionários de 1817 (Revolução Pernambucana) ocorre em Pernambuco um movimento republicano, de caráter separatista e popular.

Entre os líderes do movimento temos as figuras de Manuel de Carvalho Pais de Andrade, Cipriano Barata, padre Gonçalves Mororó e Frei Caneca. O movimento recebeu apoio de outras províncias nordestinas (Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba).

Os rebeldes proclamaram a independência e fundaram uma república, denominada Confederação do Equador (dada à localização geográfica das províncias rebeldes, próximas à linha do Equador) e adotaram, de forma provisória, a Constituição da Colômbia.
A repressão ao movimento, determinada pelo imperador, foi violenta e seus principais líderes condenados à morte.

Frei Caneca preso


A Abdicação de D. Pedro I em 1830 as forças liberais brasileiras, espelhadas na Revolução Liberal de 1830, que eliminou o absolutismo dos Bourbons, na França, aumentaram as críticas à conduta política do Imperador. Com a dissolução da Câmara dos Deputados e o assassinato de Líbero Badaró, redator do "Observador Constitucional", em São Paulo, aumentou ainda mais a insatisfação dos brasileiros, que passaram a articular a derrubada de D. Pedro I.

Em março de 1831, depois de uma desastrosa viagem a Minas Gerais, onde o Imperador sofreu a hostilidade dos políticos locais, o Partido Português resolveu promover uma grande festa em apoio ao governante, prontamente repelida pelo povo do Rio de Janeiro, manipulado pela elite dirigente. A luta entre brasileiros e portugueses (13/3), conhecida como Noite das Garrafadas (Muita Treta), era o prelúdio do fim.

Em 7 de abril de 1831, depois de sucessivas trocas ministeriais e incapaz de deter os distúrbios de rua, promovidos por populares e que contavam agora com a adesão de tropas do governo, D. Pedro abdicou do trono brasileiro, em favor de seu filho, o príncipe D. Pedro de Alcântara, na época com cinco anos incompletos.

Com isso, consolidava-se a Independência, uma vez que as últimas ameaças de uma possível recolonização portuguesa estavam definitivamente eliminadas.


CURIOSIDADE: o pulo de cerca (ou melhor, quarto trocado na corte) de D. Pedro I AQUI!

TESTES SEUS CONHECIMENTO AQUI!


RESUMASSO: (apenas para orientação)

Introdução

O Primeiro Reinado é a fase da História do Brasil que corresponde ao governo de D. Pedro I. Tem início em 7 de setembro de 1822, com a Independência do Brasil e termina em 7 de abril de 1831, com a abdicação de D. Pedro I.
O governo de D. Pedro I enfrentou muitas dificuldades para consolidar a independência, pois no Primeiro Reinado ocorrem muitas revoltas regionais, oposições políticas internas.

Reações ao processo de Independência

Em algumas províncias do Norte e Nordeste do Brasil, militares e políticos, ligados a Portugal, não queriam reconhecer o novo governo de D. Pedro I. Nestas regiões ocorreram muitos protestos e reações políticas. Nas províncias do Grão-Pará, Maranhão, Piauí e Bahia ocorreram conflitos armados entre tropas locais e oficiais.

Constituição de 1824

Em 1823, durante a elaboração da primeira Constituição brasileira, os políticos tentaram limitar os poderes do imperador. Foi uma reação política a forma autoritária de governar do imperador. Neste mesmo ano, o imperador, insatisfeito com a Assembleia Constituinte, ordenou que as forças armadas fechassem a Assembleia. Alguns deputados foram presos.
D.Pedro I escolheu dez pessoas de sua confiança para elaborar a nova Constituição. Esta foi outorgada em 25 de março de 1824 e apresentou todos os interesses autoritários do imperador. Além de definir os três poderes (legislativo, executivo e judiciário), criou o poder Moderador, exclusivo do imperador, que lhe concedia diversos poderes políticos.
A Constituição de 1824 também definiu leis para o processo eleitoral no país. De acordo com ela, só poderiam votar os grandes proprietários de terras, do sexo masculino e com mais de 25 anos. Para ser candidato também era necessário comprovar alta renda (400.000 réis por ano para deputado federal e 800.000 réis para senador).

Guerra da Cisplatina

Este foi outro fato que contribuiu para aumentar o descontentamento e a oposição ao governo de D.Pedro I. Entre 1825 e 1828, o Brasil se envolveu na Guerra da Cisplatina, conflito pelo qual esta província brasileira (atual Uruguai) reivindicava a independência. A guerra gerou muitas mortes e gastos financeiros para o império. Derrotado, o Brasil teve que reconhecer a independência da Cisplatina que passou a se chamar República Oriental do Uruguai.

Confederação do Equador

As províncias de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará formaram, em 1824 a Confederação do Equador. Era a tentativa de criar um estado independente e autônomo do governo central. A insatisfação popular com as condições sociais do país e o descontentamento político da classe média e fazendeiros da região com o autoritarismo de D. Pedro I foram as principais causas deste movimento.
Em 1824, Manuel de Carvalho Pais de Andrade tornou-se líder do movimento separatista e declarou guerra ao governo imperial. 
O governo central reagiu rapidamente e com todos as forças contra as províncias separatistas. Muitos revoltosos foram presos, sendo que dezenove foram condenados a morte. A confederação foi desfeita, porém a insatisfação com o governo de D.Pedro I só aumentou.

Desgaste e crise do governo de D. Pedro I

Nove anos após a Independência do Brasil, a governo de D. Pedro I estava extremamente desgastado. O descontentamento popular com a situação social do país era grande. O autoritarismo do imperador deixava grande parte da elite política descontente. A derrota na Guerra da Cisplatina só gerou prejuízos financeiros e sofrimento para as famílias dos soldados mortos. Além disso, as revoltas e movimentos sociais de oposição foram desgastando, aos poucos, o governo imperial.
Outro fato que pesou contra o imperador foi o assassinato do jornalista Libero Badaró. Forte crítico do governo imperial, Badaró foi assassinado no final de 1830. A polícia não encontrou o assassino, porém a desconfiança popular caiu sobre homens ligados ao governo imperial.
Em março de 1831, após retornar de Minas Gerais, D. Pedro I foi recebido no Rio de Janeiro com atos de protestos de opositores. Alguns mais exaltados chegaram a jogar garrafas no imperador, conflito que ficou conhecido como “A Noite das Garrafadas”. Os comerciantes portugueses, que apoiavam D. Pedro I entraram em conflitos de rua com os opositores.

Abdicação

Sentindo a forte oposição ao seu governo e o crescente descontentamento popular, D. Pedro percebeu que não tinha mais autoridade e forças políticas para se manter no poder.
Em 7 de abril de 1831, D. Pedro I abdicou em favor de seu filho Pedro de Alcântara, então com apenas 5 anos de idade. Logo ao deixar o poder viajou para a Europa.

PARA FIXAÇÃO


1. “A independência ou emancipação não trouxe grandes alterações econômicas e sociais”. Justifique essa afirmação.
O Brasil continuou a ser um país agrário, no qual predominava o latifúndio, cuja economia estava voltada ao mercado externo; as estruturas sociais e a escravidão, assim como a pobreza, não se alteraram.


2. Por que D. Pedro I dissolveu a Assembléia Nacional Constituinte?

Porque os constituintes estavam elaborando uma constituição que contrariava os interesses do imperador, além disso ela limitava seu poder e não permitia que ele assumisse outro reino.


3. Sobre a Constituição de 25 de março de 1824, responda:

a. O que significa dizer que ela foi outorgada? Que foi imposta pelo soberano, no caso, d. Pedro I.

b. Que forma de governo se estabeleceu? Monarquia hereditária.

c. O imperador acumulava dois poderes, quais eram eles? Executivo e Moderador.

d. Quem exercia o Poder Moderador e quais eram as suas atribuições? Era exercido exclusivamente pelo Imperador, que podia dissolver a Câmara dos Deputados, Convocar as Forças Armadas e nomear ministros, presidentes de província, autoridades da Igreja Católica, senadores e juízes; enfim, tinha o direito de intervir em todos os outros poderes.



4. Analise a Constituição de 1824 e diga quais determinações tem características mais democráticas e quais são mais autoritárias ou conservadoras.

As decisões da leia que apresentam um conteúdo mais democrático ou, talvez, liberal, são a tolerância religiosa, a liberdade de expressão, a proteção à propriedade, a igualdade jurídica dos cidadãos, o banimento da tortura e das penas cruéis e a gratuidade do ensino primário. Entretanto, o voto censitário, o reconhecimento da escravidão, o caráter inviolável e sagrado do imperador, somado à autoridade conferida à ele pelo poder moderados, e a ligação do Estado com o catolicismo revelam a face conservadora e absolutista da carta constitucional.


5. Descreva a Confederação do Equador.

Confederação do Equador foi o nome dado ao bloco de províncias, que em 1824 romperam com o Império e proclamaram sua independência. O desejo de criação desse novo país surgiu porque o governo imperial era fortemente centralizado no RJ e por causa do fechamento da Constituinte e da imposição da Constituição de 1824. O movimento teve início quando o imperador nomeou Francisco Paes Barreto para a presidência da província de PE e as Câmaras Municipais de Recife e Olinda não aceitaram a nomeação. Foi então proclamada a Confederação do Equador. Entretanto, antes que o novo país se consolidasse, mercenários contratados pelo governo imperial brasileiro tomaram a cidade de Recife e sufocaram a rebelião.


6. A violenta repressão movida contra os confederados feria os princípios liberais da Constituição de 1824. Você concorda com essa afirmação?

Resposta pessoal. Espera-se que os alunos percebam a ineficácia dos princípios liberais estabelecidos pela Carta Magna. A lei estabeleceu a liberdade de expressão e de pensamento, condenou as penas cruéis, mas, assim mesmo, muitos confederados foram executados por defenderem a república, que é a forma de governo adotada hoje no Brasil.

7. No início de seu governo, D. Pedro I era bastante popular, como demonstraram as festas de sua coroação. Ao longo de seu governo, porém, ele foi se tornando cada vez mais impopular e acabou abdicando e saindo do país às pressas. 
Escreva um pequeno texto sobre as razões da Abdicação. Siga o roteiro:
a. Fechamento da Assembléia Constituinte;
b. Imposição da Constituição de 1824;
c. Confederação do Equador;
d. Guerra da Cisplatina;
e. Sucessão do trono português;
f. Noite das Garrafadas.

EXERCÍCIOS:
ESTUDEM!!!!!!

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Lista simulado 3° bimestre (com gabarito)

Lista exercícios para simulado


2013
6.  O processo de Luís XVI ! (...). Mais um rei destronado no centro de uma revolução que é fundamentada em leis justas; um rei cujo nome só lança a desgraça da guerra sobre a nação agitada. Nem a prisão nem o exílio podem tornar indiferente à felicidade pública (...). Eu pronuncio com pesar esta sentença fatal: Luís deve morrer porque é preciso que a pátria viva! Acima foi apresentado um trecho do discurso de Robespierre durante a Convenção, proferido em 3 de dezembro de 1792. Sobre as palavras do então deputado jacobino, podemos afirmar que:
a)  há uma defesa pela manutenção do poder absoluto do rei francês.
b)  demonstra-se grande determinação em condenar o monarca à morte.
c)  sugere-se um governo em que Luís XVI obedeça às leis.
d)  propõe-se que o rei seja exilado em outra nação europeia.
e)  observa-se uma convocação para que o povo se mobilize pelas ruas do país.

7.  A Santa Aliança, proposta durante a realização do Congresso de Viena, não obteve os resultados esperados porque a Inglaterra:
a)  retirou-se do acordo, pois a ela interessava a independência das colônias latino-americanas.
b)  juntou-se aos franceses para combater as revoltas liberais no continente europeu.
c)  aderiu à restauração das legítimas monarquias europeias a fim de fortalecer o Antigo regime.
d)  apoiou o exército russo na tentativa de impedir o retorno de Napoleão após a derrota deste em Waterloo.
e)  entrou em conflito com a Espanha e não tinha mais condições financeiras de sustentar as propostas do projeto.

8.  Simon Bolívar pretendia criar uma confederação de países na América Latina após a região conquistar sua autonomia.
Entretanto, esse projeto não vingou e entre as razões que provocaram seu fracasso, não podemos considerar:
a)  a fragmentação política do continente em mais de 20 nações.
b)  as diferenças entre as elites regionais.
c)  a falta de contato entre os países da região.
d)  a interferência do Brasil nos movimentos das ex-colônias espanholas.
e)  o interesse dos EUA e da Inglaterra em controlar as economias locais.

9.  São apresentados os seguintes itens:
I.  Monarquia Hereditária.
II.  Estado composto de três poderes.
III. Extinção do Poder Moderador.
IV. Voto censitário.
Sobre as características presentes na Constituição de 1824, estão corretas:
a)  I e III.      
c)  II e III.       
b)  I e IV.    
d)  II e IV.     
e) I e II.

10. Leia a seguir o trecho de um discurso do líder cabano Eduardo Angelim como presidente da província do Grão-Pará:
Saibam, pois, o governo geral e o Brasil inteiro que os paraenses não são rebeldes; (...) os paraenses querem ser governados por um patrício paraense que olhe com amor para as suas calamidades e não por um português aventureiro (...) os paraenses querem ser governados com a lei e não com arbitrariedades (...); se o governo da corte teimar em subjugar-nos pela força, nós teimaremos em dar-lhes provas do valor de um povo livre que esquece a morte quando defende a sua liberdade.
Após a apresentação do fragmento acima, podemos concluir que:
a)  o movimento defendia o diálogo como forma de conciliar seus interesses com o governo federal.
b)  os rebeldes eram favoráveis à nomeação de um português para presidir a província local.
c)  a elite apoiou as propostas dos cabanos ao longo de todo o processo revolucionário.
d)  as propostas de liberdade para os escravos e o combate às condições desfavoráveis da população eram prioritárias aos rebeldes.
e)  os revolucionários não conseguiram conquistar o poder em nenhuma das etapas do movimento.

2014
6.  Durante a realização dos Estados Gerais, convocada pelo rei francês Luís XVI em 1789, os representantes do Terceiro Estado se retiraram em protesto:
a)  à invasão francesa ao território espanhol, o que desagradou às camadas populares.
b)  ao sistema de votação estabelecido na reunião, considerado injusto e desproporcional.
c)  à nomeação de Robespierre como Ministro das Finanças, tido como despreparado para o cargo.
d)  ao acordo econômico firmado com a Inglaterra, adversária histórica dos franceses.
e)  à prisão dos deputados jacobinos executada pelo governo, fato que provocou reações pelas ruas de Paris.

7.  Como dirigente francês, Napoleão Bonaparte implementou inúmeras reformas nos setores econômicos e sociais. No aspecto religioso, ele também provocou mudanças importantes, dentre as quais podemos destacar:
a)  a transferência da sede do Vaticano para o Palácio de Versalhes, desocupado desde a Revolução Francesa.
b)  a tolerância ao calvinismo no território francês, pois os principais dirigentes do governo seguiam essa crença.
c)  o reconhecimento do catolicismo como religião da maioria no país, tendo o dirigente o direito de nomear os bispos da Igreja.
d)  a proibição da entrada de islâmicos no país, visto que não havia uma expansão muçulmana na Europa desde a Idade Média.
e)  o fim dos conflitos entre católicos e protestantes, pois alguns grupos radicais ainda pretendiam resgatar a Noite de São Bartolomeu.

8.  Uma das exigências para que os acordos comerciais de 1810, assinado entre Portugal e Inglaterra para que esta última obtivesse vantagens em nossas alfândegas, fosse assinado, era:
a)  o comprometimento dos portugueses em diminuir a escravidão em suas colônias.
b)  o apoio ao grupo que pretendia instalar uma República no Brasil.
c)  o adiamento do processo de independência do Brasil.
d)  a construção de ferrovias no Brasil financiadas pelos ingleses.
e)  a organização de um parque industrial na então capital Rio de Janeiro.

9.  Brasileiros! Um acontecimento extraordinário (...) foi operado pelos esforços patrióticos entre a união do povo e as tropas do Rio de Janeiro, sem que fosse derramada uma só gota de sangue (...). D. Pedro abdicou em favor de seu filho, hoje o senhor D. Pedro II, imperador constitucional do Brasil. (Proclamação da Assembleia Geral em 7 de abril de 1831.)
O texto acima se relaciona com a renúncia de D. Pedro I, que culminou com o fim do Primeiro Reinado. Entre outros motivos que provocaram a saída do imperador, assinale a alternativa correta.
a)  O apoio de D. Pedro I à Confederação do Equador.
b)  A nomeação do jornalista Libero Badaró como membro do governo.
c)  A vitória brasileira na Guerra da Cisplatina.
d)  O descaso de D. Pedro I pela sucessão do trono português.
e)  A “Noite das Garrafadas” ocorrida no Rio de Janeiro.

10. São apresentadas as seguintes características:
I.  Eram chamados de “caramurus”.
II.  Apoiavam o governo central.
III. Vendiam sua carne para Argentina e Uruguai.
IV. A nomeação de um representante seu para presidir a província provocou uma rebelião local.
Em relação aos produtores de charque do Rio Grande do Sul podemos associar os itens:
a)  II e III.    
b)  I, II e IV.      
c)  II, III e IV.
d)  I e III.    
e)  I e IV.

2015
6.  Os jacobinos, ao assumirem o poder, souberam canalizar todo o potencial e a energia revolucionária das massas, porque tiveram a sensibilidade política de perceber que, sem a participação dos sans-culottes e o atendimento às suas reivindicações, a guerra não podia ser ganha e a revolução ser salva. Não vacilaram em pôr em prática os únicos instrumentos políticos que, naquele momento, podiam manter a unidade nacional em frangalhos: o terror e a ditadura. Com efeito, como conseguir impor, de um lado, o controle geral dos preços, o racionamento, o recrutamento geral em síntese, a economia de guerra e, de outro, como conseguir e eliminação da contrarrevolução interna, sem o terror e a ditadura? (Soboul, Jean. A Revolução Francesa.)
Após a leitura do fragmento apresentado e de seus conhecimentos, assinale a alternativa que não corresponda a uma realização da Convenção, a fase jacobina da Revolução Francesa:
a)  divulgação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
b)  execução do rei Luis XVI.
c)  criação do Comitê de Salvação Pública.
d)  estabelecimento da Lei do Preço Máximo.
e)  instituição do sufrágio universal masculino.

7.  Durante o Consulado, Napoleão Bonaparte estabeleceu um tratado com a Igreja Católica. Esse acordo determinava que:
a)  a França deixaria de ser um Estado laico.
b)  o governo tinha o direito de nomear os bispos da Igreja.
c)  o catolicismo seria a única crença permitida no país.
d)  a escolha do Papa deveria ser aprovada por Napoleão.
e)  as escolas francesas seriam obrigadas a ensinar o catolicismo.

8.  Além dos portugueses oferecerem vantagens alfandegárias aos produtos ingleses no Brasil, havia o compromisso de Portugal em diminuir gradativamente a escravidão em nosso território. Essa exigência se relacionava:
a)  ao cumprimento dos princípios iluministas, tão defendidos pela Inglaterra.
b)  à substituição dos africanos por imigrantes, pois estes estavam mais adaptados às indústrias.
c)  ao interesse dos ingleses em expandir seu mercado consumidor e obter mais lucros.
d)  à proibição do tráfico de escravos nos principais reinos africanos do século XIX.
e)  à concorrência com o sul dos EUA, região do continente americano que obtinha o maior número de escravos.

9.  O primeiro projeto constitucional brasileiro, conhecido como “Constituição da Mandioca”, não foi aprovado por D. Pedro I porque:
a)  determinava o voto censitário.
b)  as eleições seriam realizadas de modo indireto.
c)  apenas portugueses fariam parte do novo governo.
d)  limitaria os poderes do imperador.
e)  o regime monárquico não seria hereditário.

10. “Há quem compare a tomada do palácio do governo pelos cabanos à Queda da Bastilha, marco da Revolução Francesa na Paris de 1789. Era grande a presença de estrangeiros na região. A França costumava exilar prisioneiros contrários ao regime vigente na vizinha Guiana Francesa. No livro A Miserável Revolução das Classes Infames, o historiador Décio Freitas relata o testemunho de Jean-Jacques Berthier, um exilado francês que vai a Belém e se une ao movimento. 'Na época havia, sim, um temor do Império quanto à aproximação das camadas populares, principalmente dos escravos e índios, com os franceses. Mas a Revolução Francesa saiu vitoriosa, enquanto o triunfo da Cabanagem está mais na memória', diz Eliana Ferreira, historiadora e pesquisadora na Universidade Federal do Pará”.
A Cabanagem foi o primeiro movimento popular que, efetivamente, chegou ao poder na história brasileira. Inicialmente, as elites locais apoiaram os rebeldes, mas mudaram de posição porque os cabanos defendiam:
a)  a distribuição de terras para o povo.
b)  a continuidade da escravidão.
c)  o perdão dos exploradores locais.
d)  a expulsão dos mestiços da região.
e)  a execução do presidente da província.

2016
6.  Uma das primeiras resoluções da Convenção, a segunda fase da Revolução Francesa, foi o julgamento do rei Luís XVI e de sua esposa Maria Antonieta. A condenação à guilhotina foi definida pelo fato da Família Real ter cometido o crime de:
a)  corrupção, uma vez que saqueou os cofres públicos.
b)  sonegação, pois não declarava todos os bens que possuía.
c)  extorsão, pelo pagamento forçado de taxas feudais cobradas dos camponeses.
d)  expropriação, pois os agricultores foram expulsos de suas terras sem as devidas razões.
e)  traição, pela entrega de planos militares secretos dos franceses aos austríacos.

7.  Há duzentos anos as potências se reuniam em Viena para reorganizar uma Europa que acabava de sair de um conturbado período de revoluções. O Congresso de Viena também é considerado como o ponto de partida de uma neutralidade fortemente associada à Suíça moderna. Uma neutralidade mais imposta do que escolhida, como lembra o historiador Olivier Meuwly. (<www.swissinfo.ch/por/congresso-de-viena_o-dia-em-que-a--su%C3%AD%C3%A7a-se-tornou-neutra/41320550>.)
Dentre os aspectos relacionados à importante reunião citada no fragmento acima, podemos considerar:
a)  as antigas monarquias europeias permaneceriam afastadas do poder.
b)  as classes burguesas eram consideradas as legítimas governantes das nações do continente.
c)  foi decidida a criação de uma força militar supranacional, conhecida como Santa Aliança.
d)  houve o incentivo aos movimentos nacionalistas dentro e fora da Europa.
e)  Espanha, Portugal e Itália foram as potências europeias que conduziram o evento.

8.  Uma das inspirações da Inconfidência Mineira, movimento provocado pela insatisfação contra os abusos fiscais da Coroa Portuguesa, foi:
a)  a revolta de escravos no Haiti.
b)  a atuação de Simón Bolívar.
c)  o Período Napoleônico.
d)  a independência dos EUA.
e)  a Revolução do Porto.

9.  Para o Brasil, a Guerra da Cisplatina trouxe resultados:
a)  positivos, pois manteve a unidade territorial e mostrou a força de nosso Exército.
b)  esperançosos, pois havia a possibilidade de expandir seus domínios pela América do Sul.
c)  indiferentes, pois houve um acordo diplomático antes mesmo de se iniciar um conflito.
d)  preocupantes, pois o Rio Grande do Sul ameaçou se unir à província e se separar do Brasil.
e)  desastrosos, pois causou endividamento ao país e provocou a independência do Uruguai.

10. O principal objetivo era garantir a unidade do Estado imperial, abalada pelas constantes revoltas provinciais ocorridas na década de 1830, no período das Regências. O senador José Martiniano de Alencar, pai do romancista, era um dos principais líderes do Partido Liberal. Escreve o romancista:
“Morávamos então na Rua do Conde n° 55. Aí, nessa casa, preparou-se a grande revolução parlamentar que entregou ao Sr. D. Pedro II o exercício antecipado de suas prerrogativas constitucionais”, escreveu. Testemunha ocular da história, o menino José de Alencar observava as pessoas que “entravam misteriosamente em sua casa”, urdindo a trama que conduziria um adolescente ao trono do Brasil. (<www.revistadehistoria.com.br/secao/leituras/o-imperio-do-chocolate>.)
O trecho destacado no fragmento acima, que descreve um episódio presenciado pelo escritor José de Alencar e sua família, relata vestígios que viria a desencadear no(a):
a)  Farroupilha.    
b)  Golpe da Maioridade.    
c)  Confederação do Equador.     
d)  Dia do Fico.      
e)  Sabinada.

Gabarito

2013
6.  B - Luís XVI não aceitou a nova Constituição de 1791, pois o documento determinava a redução de seus poderes e sua submissão às leis. Com isso, tentou fugir do país com seus familiares e foi preso. Além disso, foi acusado de informar os planos militares franceses às demais nações europeias que pretendiam invadir o país, sendo condenado à morte por traição e, posteriormente, guilhotinado.
7.  A - A Santa Aliança perdeu o apoio da Inglaterra. Quando as colônias americanas se tornaram independentes, adotaram sistemas políticos liberais e aderiram ao livre comércio. Essa posição era extremamente interessante para a Inglaterra, que poderia comercializar à vontade com os novos países. Assim, a Inglaterra passou a incentivar os movimentos de independência da América Latina.
8.  D - A presença do Brasil no continente incomodava, de certa forma, o líder Simon Bolívar, pois seu projeto de Confederação não incluía o Brasil. Porém, o país não participou ou interferiu na obtenção das independências latino-americanas, não sendo este um fator que impediu a concretização do sonho de seu mais engajado líder.
9.  B - A Constituição de 1824, a primeira da história brasileira previa que o Estado seria composto por quatro poderes. Além dos três tradicionais (Executivo Legislativo e Judiciário), seria acrescido o Moderador, em que D. Pedro I teria permissão de vetar qualquer decisão e até dissolver a Câmara dos Deputados.
10. D - A Cabanagem foi um movimento de pessoas predominantemente pobres (escravos, índios, mestiços e pequenos proprietários) que se revoltaram com as duras condições de vida da província do Grão-Pará. A elite, no início apoiou os rebeldes, pois estava descontente com a falta de autonomia local, mas deixaram de participar do movimento assim que propostas como o fim da escravidão e a distribuição de terras foram divulgadas. Mesmo assim, foi a primeira mobilização de caráter popular que efetivamente chegou ao poder no Brasil.

2014
6.  B - Os Estados Gerais eram convocados pelo rei francês somente em casos excepcionais. No caso da decisão de Luís XVI, a reunião discutiria a crise econômica do país e como ela seria resolvida. Uma possível solução prejudicaria o Terceiro Estado, única classe que pagava impostos no país. Seus representantes propuseram uma votação individual, pois o sistema vigente considerava que cada classe seria equivalente a um voto. Nesse caso, o clero e a nobreza (dois votos) venceriam. Como a sugestão não foi aceita, o Terceiro Estado retirou-se da reunião e jurou permanecer unido até a elaboração de uma Constituição.
7.  C - Napoleão Bonaparte estabeleceu um acordo com a Igreja Católica, no qual reconhecia o catolicismo como religião da maioria dos franceses apesar de o Estado ser laico. Por esse tratado, tinha o direito de nomear os bispos do clero e estabelecer a liberdade de culto.
8.  A - Em 1810, os ingleses passaram a pagar menos impostos pela venda de seus produtos no Brasil (15% do valor da mercadoria) do que os próprios portugueses (16% do valor da mercadoria). Além disso, os portugueses se comprometeram a diminuir o número de escravos em suas colônias e restringir o tráfico. Os ingleses haviam adquirido grandes lucros com o tráfico de escravos, mas com a Revolução Industrial precisavam de compradores para os seus produtos. Se não houvesse mais escravidão, os ex-escravos passariam a receber o salário e comprar as manufaturas inglesas.
9.  E - Inúmeros jornais e panfletos criticavam D. Pedro I e seus ministros pelas políticas que adotavam, prejudicando o povo brasileiro. A onda de indignação que se seguiu aumentou as tensões e provocou a “Noite das Garrafadas” no Rio de Janeiro, em 1831, quando brasileiros e portugueses se enfrentaram nas ruas da cidade. O imperador ficou cada vez mais isolado, perdendo o apoio de muitas pessoas e provocando sua abdicação.
10. B - Os estancieiros (donos de fazendas para criação de gado) desejavam mais autonomia para a província gaúcha e eram conhecidos como “farroupilhas”. Não dependiam tanto do mercado brasileiro, já que negociavam com Uruguai e Argentina. Já os charqueadores, conhecidos como “caramurus”, ficavam ao lado do governo central e dependiam exclusivamente do comércio com o Brasil. A disputa entre ambos os grupos provocou uma rebelião, quando um representante caramuru foi nomeado presidente local.

2015
6.  A - Em 26 de agosto de 1789, foi promulgada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, baseada nos ideais iluministas, na qual ficavam assegurados o direito à liberdade de pensamento e opinião, à igualdade de todos os cidadãos e à propriedade individual. Esse documento foi divulgado durante a fase da Assembleia Nacional Constituinte, primeira da Revolução Francesa.
7.  B - Napoleão Bonaparte estabeleceu um acordo com a Igreja Católica, no qual o catolicismo era reconhecido como a religião da maioria dos franceses, apesar de o Estado ser laico. Por esse tratado, o Consulado tinha o direito de nomear os bispos da Igreja e estabelecia a liberdade de culto.
8.  C - Em 1810, os ingleses passaram a pagar menos impostos pela venda de seus produtos no Brasil, fazendo com que seus produtos ficassem mais baratos do que os próprios portugueses. Além disso, Portugal se comprometia a diminuir o número de escravos e restringir o tráfico. Os ingleses haviam adquirido grandes lucros com a escravidão, mas, com a Revolução Industrial, precisavam de mais compradores para suas mercadorias. Caso não houvesse mais escravidão, os ex-escravos passariam a receber salário e poderiam comprar os produtos ingleses.
9.  D - Para organizar o Brasil, foi convocada uma Assembleia Constituinte a fim de elaborar a primeira Constituição brasileira. Era formada, em parte, por ricos fazendeiros, que procuraram organizar um documento que atendesse aos seus interesses particulares: os portugueses não poderiam ocupar cargos públicos e o Legislativo aumentaria o seu poder. D. Pedro I não ficou satisfeito com esse projeto e dissolveu a Assembleia, convocando uma comissão de dez pessoas para elaborar um novo projeto.
10. A - Os cabanos estavam revoltados com as condições de miséria absoluta em que viviam na província do Pará e, inicialmente, foram apoiados pelas elites locais descontentes com a falta de autonomia.  No entanto, deixaram de auxiliar os rebeldes pois ficaram temerosas com os ideais igualitários do movimento, como o fim da escravidão, a distribuição de terras para o povo e a execução dos exploradores.

2016
6.  E - A Convenção, fase mais popular da Revolução Francesa, foi conduzida pela ala jacobina e uma de suas primeiras ações seria decidir pelo futuro da Família Real, presa ao tentar fugir do país. Descoberta a entrega de planos militares franceses aos austríacos, uma das forças contrarrevolucionárias, o governo concluiu que o crime de traição foi cometido e a condenação seria a execução do rei Luís XVI e da rainha Maria Antonieta, sendo ambos guilhotinados.
7.  C - Áustria, Rússia, Inglaterra e Prússia criaram uma forma supranacional, ou seja, um exército composto por suas tropas, que tinham como missão intervir em qualquer país europeu onde surgissem revoltas nacionalistas ou liberais. Essa força militar idealizada pelo czar Nicolau II, da Rússia, ficou conhecida por Santa Aliança.
8.  D - A Inconfidência Mineira teve como inspirações os ideais iluministas e a independência dos EUA. Na região, a Corte Portuguesa instituiu a derrama para compensar seus gastos e causou grande insatisfação entre os colonos. Alguns membros da elite local pretendiam tomar o poder e se separar do Brasil, criando uma República.
9.  E - A Guerra da Cisplatina teve início em 1825 e durou três anos. O conflito resultou em um enorme endividamento para o Brasil. Com a mediação da Inglaterra, interessada na normalização do comércio na região, foi estabelecida a paz e a região se transformou num país independente, com o nome de República Oriental do Uruguai. No Brasil, contribuiu para desgastar ainda mais a figura do imperador D. Pedro I, devido ao recrutamento forçado de brasileiros e aos enormes gastos.
10. B - Em 1840, foi criada uma lei interpretativa ao Ato Adicional, fortalecendo o poder central em detrimento das províncias. Os liberais, excluídos do governo, promoveram o Golpe da Maioridade, quando D. Pedro II, com apenas 14 anos, foi considerado maior de idade e assumiu o trono.

Bons Estudos!!