segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

8º A e B - União Ibérica e invasão holandesa - 1ª Bimestre (atualizado 2017)

Vídeo introdutório

Bem didático!!

Invasão holandesa no Brasil, conquista e administração

A invasão holandesa fez parte do projeto da Holanda (Países Baixos) em ocupar e administrar o Nordeste Brasileiro através da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. 

Após a União Ibérica (domínio da Espanha em Portugal entre os anos de 1580 e 1640), a Holanda resolveu enviar suas expedições militares para conquistarem a região nordeste brasileira. O objetivo holandês era restabelecer o comércio do açúcar entre o Brasil e Holanda, proibido pela Espanha após a União Ibérica.

A primeira expedição invasora ocorreu em 1624 contra Salvador (capital do Brasil na época). Comandados por Jacob Willekens, mais de 1500 homens conquistaram Salvador e estabeleceram um governo na capital brasileira. Os holandês foram expulsos no ano seguinte quando chegaram reforços da Espanha.

Em 1630, houve uma segunda expedição militar holandesa, desta vez contra a cidade de Olinda (Pernambuco). Após uma resistência luso-brasileira, os holandeses dominaram a região, estabeleceram um governo e retomaram o comércio de açúcar com a região nordestina brasileira.

Em 1637, a Holanda enviou o conde Maurício de Nassau para administrar as terras conquistadas e estabelecer uma colônia holandesa no Brasil. até 1654, os holandeses dominaram grande parte do território nordestino.



União Ibérica e o "Brasil" (anacronismo)

Os holandeses em Pernambuco (1630 -1654), Em 1630, com uma esquadra de setenta navios, os holandeses chegaram a Pernambuco, dominando, sem maiores problemas, Recife e Olinda, apesar dos preparativos de defesa efetuados por Matias de Albuquerque, governador de Pernambuco.

Contra os holandeses, organizaram-se as Companhias de Emboscada, grupos guerrilheiros chefiados por Matias de Albuquerque, que iriam se fixar no Arraial do Bom Jesus, situado numa região entre Olinda e Recife.

Apesar de os holandeses estarem mais bem armados e contarem com um contingente apreciável de soldados, a resistência luso-brasileira possuía a seu favor o fator surpresa alia­do ao melhor conhecimento do terreno. Porém, essa situação se alterou com a passagem de Domingos Fernandes Calabar para o lado holandês.

A organização do Brasil holandês. Até 1635 os holandeses estavam arcando com as despesas militares da conquista. A Nova Holanda, que então se constituía, era, aos olhos da Companhia das Índias Ocidentais, um empreendimento comercial de que se esperava extrair altos lucros. Era preciso, portanto, colocá-la rapidamente em condições de produzir. Para organizar os seus domínios no Brasil, foi enviado, como governador-geral, João Maurício de Nassau-Siegen, que aqui permaneceu de 1637 a 1644.

Expulsão dos holandeses

Em 1654, após muitos guerras e conflitos, finalmente os colonos portugueses (apoiados por militares de Portugal e Inglaterra) conseguiram expulsar definitivamente os holandeses do território brasileiro e retomar o controle do Nordeste Brasileiro.

Principais aspectos da administração de Nassau no Nordeste do Brasil:

- Estabeleceu relações amigáveis entre holandeses e senhores de engenho brasileiros;

- Incentivou, através de empréstimos, a reestruturação dos engenhos de açúcar do Nordeste;

- Introduziu inovações com relação à fabricação de açúcar;

- Favoreceu um clima de tolerância e liberdade religiosa;

- Modernizou a cidade de Recife, construindo diques, canais, palácios, pontes e jardins. 

- Estabeleceu e organizou os sistemas de coleta de lixo e os serviços de bombeiros em Recife.

- Determinou a construção em Recife de um observatório astronômico, um Jardim Botânico, um museu natural e um zoológico.


Cronologia

1630 - 1637: Guerra de Invasão de Pernambuco

1637 - 1614: Apogeu de Nassau, PAZ Nassau inverte o exclusivismo colonial, ele coloca recursos da metrópole na Companhia das Índias Orientais da Colônia, que em 1625 haviam tomado Salvador.

Lembrando que: A expulsão dos holandeses é fruto da política Nassariana.

1645 - 1654: Insurreição Pernambucana

A Insurreição Pernambucana foi o 1º Confronto Nativista do Brasil, para expulsar holandeses do território. Nessa guerra, as tropas brasileiras não tiveram apoio de Portugal, pois na Espanha está havendo a Guerra de Independência da União Ibérica e, todos os esforços portugueses estão voltados para Espanha. No Brasil, devido a escassez de milícias, pela primeira vez, índios, africanos e senhores de Engenho unem-se em favor de uma causa. A Batalha de Guararape foi fundamental para construção da identidade Brasileira, que se consolidou com a união de negros, brancos e índios. Inclusive foi retratada em diversas obras de arte, posteriormente.

Consequências
 
Movimento Nativista, quem liderou o processo eram as próprias elites locais. A Independência foi viabilizada pela União das 3 raças. Esse processo ficou conhecido como o Mito das Três Raças (brancos, negros e índios) que tinham necessidade de Conciliação com a Holanda por meio do Tratado do Haia.
Como os escravos se beneficiavam das guerras para fugir, os Senhores não entregavam armas para Escravos, com exceção da Insurreição Pernambucana, na qual escravos lutaram armados. Quilombo dos Palmares foi fruto das Guerras.
Os holandeses vão embora, mas levam escravos e técnicas de refino para implantar nas Antilhas. Só há lucro quando há monopólio, e o Brasil perde o monopólio do açúcar. Como consequência há decadência do açúcar no Nordeste em razão da concorrência do açúcar antilhano.


APROFUNDAMENTO AQUI

TREINEM!!

1 - Qual problema aconteceu na monarquia portuguesa após o desaparecimento do rei Dom Sebastião?

2 - Quais os interesses do rei espanhol Filipe II com a união entre as coroas portuguesa e espanhola?

3 - Produza um pequeno texto relacionando a consolidação da União Ibérica e a ocorrência das invasões holandesas ao Brasil.

4 - Aponte as motivações que incentivaram os portugueses a darem fim à União Ibérica, no ano de 1640.

5 - Foram, respectivamente, fatores importantes na ocupação holandesa no Nordeste do Brasil e na sua posterior expulsão:

a) o envolvimento da Holanda no tráfico de escravos e os desentendimentos entre Maurício de Nassau e a Companhia das Índias Ocidentais.
b) a participação da Holanda na economia do açúcar e o endividamento dos senhores de engenho com a Companhia das Índias Ocidentais.
c) o interesse da Holanda na economia do ouro e a resistência e não aceitação do domínio estrangeiro pela população.
d) a tentativa da Holanda em monopolizar o comércio colonial e o fim da dominação espanhola em Portugal.
e) a exclusão da Holanda da economia açucareira e a mudança de interesses da Companhia das Índias Ocidentais.

6 - Que personagem histórico, que viveu no Nordeste brasileiro durante o século XVII, colaborou com a invasão holandesa e depois foi julgado, condenado e morto pelas autoridades portuguesas sob a alcunha de traidor?

a) Domingos Jorge Velho
b) José de Anchieta
c) José do Patrocínio
d) Joaquim José da Silva Xavier
e) Domingos Fernandes Calabar

7 - Entre 1580 e 1640, Portugal enfrentou uma delicada situação política: de um lado, passou a pertencer à União Ibérica e, de outro, viu os holandeses dominarem Pernambuco, através da Companhia das Índias Ocidentais, a partir de 1630.

a) O que foi a União Ibérica?
b) Dê três motivos para a invasão holandesa no Brasil.

8 - Entre as causas da ocupação holandesa em Pernambuco, pode-se destacar:

a) o interesse no tráfico negreiro;
b) a participação das companhias de comércio na exportação de algodão;
c) a participação holandesa na indústria açucareira e a União Ibérica;
d) a ausência dos jesuítas em Pernambuco;
e) a necessidade de uma colônia protestante.

9 - A administração de Maurício de Nassau, no Brasil Holandês, foi importante, pois, entre outras realizações:

a) eliminou as divergências existentes com os representantes da Companhia das Índias Ocidentais.
b) criou condições para que a Reforma Luterana se afirmasse no Nordeste.
c) promoveu a efetiva consolidação do sistema de produção açucareira.
d) integrou o sistema econômico baiano ao de Pernambuco.
e) realizou alterações na estrutura fundiária, eliminando os latifúndios.

10 - O que aconteceu com a economia açucareira do Brasil logo que os holandeses foram expulsos?

11 - Explique por que, em um dado momento, os colonos brasileiros uniram esforços para expulsarem os holandeses.

12 - Sobre o governo de Mauricio de Nassau, faça as seguintes considerações:

a) Quais os principais feitos de Nassau durante o tempo em que administrou as terras brasileiras?
b) Aponte as diferenças entre a colonização portuguesa e a colonização holandesa no Brasil.


GABARITO

1 - Após o desaparecimento do rei D. Sebastião, durante a batalha contra os árabes em Alcácer-Quibir, o trono português não tinha nenhum herdeiro direto que pudesse ocupar o seu lugar. Em um primeiro instante o trono foi entregue ao cardeal do Henrique, seu tio-avô e parente mais próximo, que também faleceu em pouco tempo sem também deixar um herdeiro para o trono. De tal modo, o trono português ficou sem a figura de um governante que pudesse assumi-lo. 

2 - A União Ibérica era vista por Filipe II como um fácil meio de enriquecimento dos cofres espanhóis, que sofriam uma grande carência gerada pela dependência do país em relação aos produtos manufaturados de outras potências européias. Paralelamente, os espanhóis também buscavam ampliar seu prestigio junto a Igreja, já que a união das coroas colocaria a Espanha como grande promotora da fé católica em terras americanas. 

3 - O domínio espanhol em Portugal acabou transformando o Brasil em mais uma das possessões hispânicas no continente americano. Um pouco antes disso, os holandeses haviam conquistado a sua independência travando guerra contra aos hispânicos. Por conta da derrota a Espanha, assim que se tornou metrópole do Brasil, proibiu a antiga participação que os holandeses tinham no transporte e financiamento do açúcar brasileiro. Prejudicados com tal retaliação, os holandeses optaram por invadir o Brasil e controlar diretamente a economia açucareira no território nordestino.

4 - Em termos gerais, a crise que deu fim à União Ibérica aconteceu na medida em que os espanhóis de envolviam em diversas lutas contras as nações européias. O enorme gasto com os conflitos levou a adoção de uma política de cobrança de impostos que desagradou profundamente a nobreza lusitana. Ao mesmo tempo, o envolvimento em tais guerras constituiu uma grave ameaça à manutenção dos domínios coloniais na América. De tal modo, a restauração do trono português se fazia urgente naquele período. 

5 - B

6 - E

7 - a) Fusão dos reinos de Portugal e Espanha, com o término da Dinastia de Avis após as mortes de D. Sebastião e Cardeal D. Henrique, possibilitando a ascensão de Felipe II ao trono português, graças aos laços de parentesco.

b) Divergência políticas entre Espanha e Holanda, embargo espanhol à continuidade do comércio açucareiro pelos holandeses e interesse holandês em dominar a produção para poder continuar com o comércio.

8 - C

9 - C

10 - Após serem expulsos, os holandeses passaram a investir na plantação de açúcar na região das Antilhas. Em pouco tempo, os produtores brasileiros não suportaram a concorrência comercial imposta pelo açúcar antilhano. Dessa maneira, sem poder contar com o apoio da Coroa Portuguesa – que enfrentava uma grave crise econômica – a atividade açucareira vivenciou uma época de franco declínio. 

11 - A expulsão dos holandeses começou a partir do momento em que a Holanda passou a realizar a cobrança sobre os empréstimos oferecidos aos senhores de engenho do Brasil. Incomodados com as constantes cobranças, os proprietários de terra brasileiros concentraram esforços para que os colonizadores holandeses fossem expulsos daqui.

12 - a) No tempo em que administrou o espaço colonial nordestino, Nassau promoveu a ampliação das plantações de cana-de-açúcar e da criação de gado. Além disso, promoveu várias obras públicas, permitiu a realização do livre comércio e deixou que todas as religiões fossem praticadas nas terras por ele controladas. De modo geral, o governo de Nassau foi claramente marcado pelo desenvolvimento e pela ampliação das liberdades entre os colonos.

b) Realizando uma breve comparação, notamos que os holandeses tiveram um comportamento empreendedor ao buscar a criação de novos engenhos e a ampliação das atividades econômicas de um modo geral. Além disso, tiveram a preocupação de criar lugares que acomodassem melhor o interesse dos colonos e ofereceram várias liberdades a essa mesma população. Em contrapartida, a colonização portuguesa empreendia uma série de proibições e não oferecia recursos satisfatórios para que o ambiente e a economia coloniais se desenvolvessem.


Lista de exercícios

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Sobre a Wikipédia como única fonte de pesquisa (Atualizado 2017)

Olá, meus caros e minhas caras,

utilizar as ferramentas digitais para pesquisas e válido desde que, a mesma não seja a única fonte de informação, pois como já havia comentado na APRESENTAÇÃO do blog, "FONTE UNA, FONTE NULA", minha militância é pela utilização do livro como fonte primeira de pesquisa, temos milhares de bibliotecas pública e privadas a nossa disposição e que só não estão totalmente ociosas porque parte delas estão em universidades, mas sei que a queda de braço com o Oráculo (GOOOOOOGLE) e a Wikipédia e desleal, mas não me darei por vencido até que, de fato, a internet sirva democraticamente aos interesses sociais coletivos e não somente aos corporativos do grande capital.

A Wikipédia é interessante (menos pior), na minha opinião pela sua forma de trabalho, veja como funciona e algumas dicas:


A hierarquia Wiki
Dos internautas comuns aos reis da cocada preta, saiba quem faz o site


Leitor
Quem é: O usuário que visita o site para se informar.
Quantos são:Aproximadamente 7,8 milhões por dia.
Atribuições: Não procura por erros nem se dispõe a editar nenhum artigo. No máximo, posta algum recado na página de discussões, que pode influenciar os editores.
Poder: Nenhum.


Editor
Quem é: Qualquer internauta que entre em um artigo para alterá-lo.
Quantos são: Cerca de 3 milhões por dia.
Atribuições: Retirar, acrescentar ou corrigir informações de um verbete. Ou criar novos tópicos.
Poder: Limitado. Suas contribuições dependem da aprovação dos administradores.


Administrador
Quem é: Um supereditor eleito (ou indicado por outro editor) por causa da freqüência e da qualidade de suas colaborações.
Quantos são: 1 342.
Atribuições: Apagar ou bloquear páginas problemáticas e recuperar versões anteriores de verbetes vítimas de vandalismo.
Poder: Grande.


Burocrata
Quem é: O chefe dos administradores.
Quantos são: 22 no mundo inteiro (algumas línguas não têm nenhum administrador).
Atribuições: Resolve pendências entre administradores. Pode “demitir” editores mal-intencionados que sabotam artigos da Wikipédia.
Poder: Gigantesco.

Steward
Quem é: O juiz da Wikipédia.
Quantos são: 30.
Atribuições: Em caso de conflito entre diferentes instâncias (burocratas e administradores, por exemplo), é ele que decide quem tem razão. Também pode promover ou rebaixar pessoas de seus cargos, sem votação.
Poder: Descomunal.



Como saber se o verbete wiki é confiável (MUITO IMPORTANTE)


Estrela
Artigos bem escritos, estáveis, que contêm citações confiáveis e não são tendenciosos podem ganhar uma estrela e ser mencionados como “bons artigos”. Eles podem ser eleitos, por indicação de qualquer internauta, ou escolhidos pelos administradores e pelos burocratas. Em inglês, dos 2 milhões de verbetes disponíveis no começo de outubro, aproximadamente 1 630 eram considerados bons. Em português, eram 260 artigos dentre os 288 mil disponíveis.


Normal
São os artigos comuns, relevantes e bem escritos, mas que ainda não atingiram alto nível de qualidade.


Bloqueado
Em 25 de setembro, um administrador bloqueou a página do Corinthians. O motivo: depois de perder para o arqui-rival Palmeiras dois dias antes, o clube estava ameaçado de cair para a 2ª divisão do Campeonato Brasileiro. Depois de dois dias apagando edições de insulto, o administrador optou por bloquear o verbete para qualquer tipo de modificação.


Suspeito
Quando uma informação importante aparece no verbete sem a devida citação, é comum que os editores façam um alerta avisando do problema. Quando o artigo é cheio de furos assim, ele ganha um selo logo no topo, alertando que o texto precisa de “faxina” e pode não ser confiável.


Cancelado
A Super criou o verbete “Tiago Cordeiro”, com a biografia do autor deste texto, com apenas duas palavras: “jornalista paranaense”. Cinco minutos depois, um administrador de Portugal julgou o artigo improcedente e o indicou para eliminação.

Artigos:
UTILIZEM COM MODERAÇÃO!!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

ESTUDOS AUTÔNOMOS! COMO FAZE-LOS? (Atualizado 2017)

DICAS PARA MELHORAR AUTONOMAMENTE O DESEMPENHO ESCOLAR


Assistência à Aula

Assistir à aula não quer dizer somente estar de corpo presente em sala. Na escola se passa uma parte significativa do dia dentro de uma sala de aula. Deve-se aprender a aproveitar este tempo, prestando atenção e tirando dúvidas.

Não deixe dúvidas, que surjam durante uma aula, para serem resolvidas depois. Perguntas geralmente ajudam o andamento da aula, auxiliam o professor e muitas vezes uma dúvida que se tenha será comum a outros colegas.Tenha em mente que o bom andamento de uma disciplina é co-responsabilidade do professor e alunos.

Acompanhar as aulas implica ter em dia o assunto das aulas anteriores. Procure disciplinar-se neste sentido, pois será difícil recuperar uma aula não compreendida.


Anotações em Aula

Aprenda a tomar notas de aulas. Não é suficiente anotar o que o professor escreve no quadro, anote também pontos relevantes do que o professor diz. É aconselhável deixar bastante espaço livre em suas notas para depois colocar suas próprias observações e dúvidas. Use e abuse de letras maiúsculas, cores e grifos para destacar pontos importantes. Não tente tomar nota de tudo o que é dito em uma aula. Faça distinção entre meros detalhes e pontos chave. Muitos dos detalhes podem ser rapidamente recuperados em livros-texto. É importante saber que tomar notas corretamente implica em acompanhar a aula e sumarizar pontos. O ato de tomar notas não substitui o raciocínio.

Ficar apavorado por sentir que informações importantes estão sendo perdidas ao anotar, é sinal de que se está anotando em excesso. Concentre-se nos pontos principais, resumindo-os ao máximo. Deixe muito espaço em branco e então, assim que for possível, complete-os com os exemplos e detalhes para ampliar a idéia geral.

Procure ler as notas de aula sempre que possível depois de cada aula (e não somente em véspera de provas), marque pontos importantes e faça resumos. Este é um bom modo de começar seu tempo de estudo de cada dia. Ao reescrever suas notas de aula trabalhe, pense e verifique pontos. Não vale a pena simplesmente recopiá-los de forma mecânica e caprichosa.


Leitura

Antes de começar a ler uma apostila, um livro ou o capítulo de um livro, é interessante dar-lhe uma lida "em diagonal", ou seja, olhar rapidamente todo o texto. Isto dará uma ideia geral do assunto do livro ou capítulo e do investimento de tempo que será preciso para a leitura total.

Durante a leitura, pare periodicamente e reveja mentalmente os pontos principais do que acaba de ser lido. Ao final, olhe novamente o texto "em diagonal" para uma rápida revisão.

Ajuste a velocidade de leitura para adaptá-la ao nível de dificuldade do texto a ser lido.

Ao encontrar dificuldades em partes importantes de um texto, volte a elas sistematicamente. Não perca tempo simplesmente relendo inúmeras vezes o mesmo trecho. Uma boa estratégia costuma ser uma mudança de tópico de estudo e um posterior retorno aos trechos mais difíceis.

Tome notas do essencial do que está lendo. Tomar notas não significa copiar simplesmente o texto que está sendo lido. Geralmente não se tem muito tempo de reler novamente os textos originais, e portanto, tomar notas é extremamente importante.

As técnicas acima são sugestões de caráter geral, mas é bem provável que, dependendo do estudante, algumas delas sejam mais eficazes que outras. Cada pessoa deve criar sua própria técnica de estudo. É muito importante que se pense sobre isso e reconsidere técnicas que não estão sendo adequadas. Uma técnica eficiente de estudo desenvolvida durante os anos em que estiver na escola irá ser extremamente proveitosa durante toda sua vida profissional.

VÍDEO DICA (MUITO BOM!!)









ESTA POSTAGEM TAMBÉM TEM O INTUITO DE SERVIR COMO UM CANAL DE EXPERIÊNCIAS REAL DE ALUN@S QUE TENHAM UM DESEMPENHO BACANA EM SALA DE AULA. OS DEPOIMENTOS SERÃO INCLUSOS AQUI APÓS SEREM PUBLICADOS NOS COMENTÁRIOS.

DICAS DE ALUN@S, OU MELHOR, DICAS DE ALUN@S PRA FAZER HISTÓRIA:

1 - "Em videos aulas que os professores passam ajuda muito fazer anotações no caderno,um método que uso para estudar é resumo em slides fica mais fácil para assimilar a matéria grifar os pontos principais também".

2 - "Sempre que tenho uma dúvida a respeito de qualquer assunto procuro pesquisar, mesmo em fontes mais "populares" e não acadêmicas (ex.: Wikipédia), e assimilar pelo menos o mais básico a respeito do que estou pesquisando. Assim terei uma base onde "atuar" quando for questionado.
OBS.: Ajuda muito pesquisar as dúvidas na hora que você as "tem", pois quando deixamos para pesquisar e nos informar algum tempo depois provavelmente já teremos esquecido o que queríamos saber ou já teremos perdido o interesse em saber!!!  L.F.G., 3ºe.m".

3 - "Para ter bons resultados em meus estudos,sempre presto atenção nas aulas e copio todas as anotações feitas pelo professor na lousa. Quando chego em casa leio todas as perguntas e respostas da apostila,buscando entender e interpretar o porque da resposta".

 VALEU!!!!!


Obs.: Sou professor particular de humanidades (História, Geografia Humana e Física), quaisquer dúvidas entrar em contato por esse post (no comentário) para maiores informações, faço trabalho de orientação para autonomia nos estudos e tutoria presencial e a distância.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

8º A e B - A República Oligárquica no Brasil (1889 - 1930) - 4º Bimestre (2016)

Vídeo introdutório



A República Velha, ou Primeira República, é o nome dado ao período compreendido entre a Proclamação da República, em 1889, e a eclosão da Revolução de 1930.
A República da Espada abrange os governos dos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Foi durante a República da Espada que foi outorgada a Constituição que iria nortear as ações institucionais durante a Primeira República. Além disso, o período foi marcado por crises econômicas, como a do Encilhamento, e por conflitos entre as elites brasileiras, como a Revolução Federalista e a Revolta da Armada.
A República Oligárquica foi marcada pelo controle político exercido sobre o governo federal pela oligarquia cafeeira paulista e pela elite rural mineira, na conhecida “política do café com leite”. Foi nesse período ainda que se desenvolveu mais fortemente o coronelismo, garantindo poder político regional às diversas elites locais do país.
O período marca também a ascensão e queda do poder econômico dos fazendeiros paulistas, baseado na produção do café para a exportação. Além disso, os capitais acumulados com a exportação do produto garantiram o início da industrialização do país, ao menos na região Sudeste.
Essa industrialização proporcionou mudanças na estrutura social brasileira, com a formação de uma classe operária e o crescimento do espaço urbano. As mudanças políticas e sociais, também conhecidas pelo termo modernização, resultaram ainda em agudos conflitos sociais, tanto no campo, como no caso da Guerra de Canudos, quanto nas cidades, como a Revolta da Vacina e as greves operárias na década de 1910.
A crise das oligarquias rurais e a crise econômica mundial, atingindo profundamente a produção cafeeira, representaram a agonia da República Velha. A insatisfação com a eleição de Júlio Prestes, em 1930, deu à elite os motivos para derrubar os fazendeiros paulistas que estavam no poder, através da Revolução de 1930. Era o fim da República Velha e o início da Era Vargas.

Principais características políticas e econômicas do período

- Coronelismo: era o poder político, econômico e social que os “coronéis” tinham sobre a população local. Estes coronéis nada mais eram do que grandes proprietários rurais com influência na política regional.

- Política do café-com-leite: foi a alternância na presidência da República de políticos paulistas e mineiros. Ganhou este nome, pois o café era o principal produto de São Paulo e o leite (também os derivados) era o principal produto dos mineiros.

- Fraudes eleitorais: como o voto era aberto e o sistema eleitoral facilmente manipulado pelos políticos, era comum as fraudes eleitoras, feitas sempre para beneficiar os candidatos apoiados pelos grandes proprietários rurais. Compra de votos, uso de documentos falsos e alterações de cédulas eleitorais eram comuns neste período. O “voto de cabresto” era o sistema em que o coronel, com uso da violência ou pressão de todos os tipos, fazia com que seus funcionários votassem nos candidatos indicados por ele.

- Início do processo de industrialização do país: parte do lucro dos cafeicultores, com a venda do café para o mercado externo, foi usada como investimentos no setor industrial. A região sudeste do país, principalmente a cidade de São Paulo, foi a que mais recebeu estes investimentos e mais se desenvolveu no aspecto industrial.

- Formação da burguesia industrial urbana e do operariado, principalmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro: muitos imigrantes, principalmente italianos, foram morar nestas cidades para trabalhar nas nascentes e promissoras indústrias. Ocorreram também, neste período, muitas greves com a organização do movimento operário, que reivindicava melhores salários e condições de trabalho.

- Política dos Governadores: espécie de acordo feito entre os governadores de estados e o presidente da República. O presidente dava apoio, principalmente nas eleições, aos governadores e, em troca, estes davam sustentação política ao presidente.

- Tenentismo: movimento de caráter político-militar, com grande participação de militares do exército (média e baixa patente), que eram a favor da moralização política do Brasil. O movimento, do início da década de 1920, foi caracterizado por rebeliões e protestos. O mais importante levante tenentista foi a Revolução Paulista de 1924.


Principais movimentos e revoltas sociais do período



Os movimentos sociais deste período foram reflexos da insatisfação de grande parte do povo brasileiro com o controle político das oligarquias e também com os problemas sociais advindos da concentração de renda, pobreza e miséria.

- Cangaço (do final do século XIX até o final da década de 1930)

- Guerra de Canudos (1896 a 1897)

- Revolta da Chibata (1910)

- Guerra do Contestado (1914)

- Revolta da Vacina (1904)

- Coluna Prestes (de 1925 a 1927)


Presidentes da República deste período:

1894 a 1898 - Prudente de Morais

1898 a 1902 - Campos Sales

1902 a 1906 - Rodrigues Alves

1906 a 1909 - Afonso Pena

1909 a 1910 - Nilo Peçanha

1910 a 1914 - Marechal Hermes da Fonseca

1914 a 1918 - Wenceslau Brás

1918 a 1919 - Delfim Moreira

1919 a 1922 - Epitácio Pessoa

1922 a 1926 - Arthur Bernardes

1926 a 1930 - Washington Luís


TREINANDO

1- Proclamada a República inicia-se um novo período na História política do Brasil: “A República Velha ou Primeira República”. A respeito dos primórdios da República é correto afirmar. A fase e o primeiro presidente da República foram respectivamente
a)República Oligárquica e Hermes da Fonseca 
b)República da Espada e Deodoro da Fonseca
c)República da Espada e Floriano Peixoto
d)República Oligárquica e Prudente de Morais
e)República da Espada e Campos Sales.

2- A chamada “Política dos Governadores”, instituída a partir do governo de Campos Salles, caracterizava-se por:
a) permitir que a escolha do Presidente da República fosse resultado de um consenso entre os governadores e desta forma manter o grupo político no poder.
b) tornar os governadores um mero instrumento do poder do Presidente da República e impedir a formação de novas lideranças contrárias ao governo federal;
c) acordo político que consistia na troca de favores entre os governos federal, estadual e municipal para manter os grupos políticos no poder. 
d) tornar os governadores representantes de um federalismo liberal e democrático com objetivo de renovar as lideranças políticas;
e) promover, através dos governadores, a desarticulação das oligarquias locais e promover a renovação dos grupos políticos e lideranças locais.

3- "Não é por acaso que as autoridades brasileiras recebem o aplauso unânime das autoridades internacionais das grandes potências, pela energia implacável e eficaz de sua política saneadora das epidemias [...]. O mesmo se dá com a repressão dos movimentos populares de Canudos e do Contestado, que no contexto rural [...] significavam praticamente o mesmo que a Revolta da Vacina no contexto urbano". Nicolau Sevcenko. A revolta da vacina.

De acordo com o texto, a Revolta da Vacina, o movimento de Canudos e o do Contestado foram vistos internacionalmente como MOVIMENTOS : 

a) provocados pelo êxodo maciço de populações saídas do campo rumo às cidades logo após a abolição.
b) retrógrados, pois as agitações provocadas por estes movimentos populares dificultavam a modernização do país.
c) decorrentes da política sanitarista de Oswaldo Cruz.
d) indícios de que a escravidão e o império chegavam ao fim para dar lugar ao trabalho livre e à república.
e) conservadores, porque ameaçavam o avanço do capital norte-americano no Brasil.

4- Os movimentos messiânicos eram mais comuns do Brasil do que imaginávamos. Além de Canudos, várias revoltas envolvendo seguidores destes movimentos eclodiram durante a primeira metade de século passado. Como o Messianismo foi possível?

a)Devido a concentração latifundiária, o estado de miséria dos camponeses, a prática do coronelismo e a forte religiosidade popular.
b)Devido unicamente a religiosidade do sertanejo que encontrava nas práticas do messias um conforto para a vida miserável que estava submetido. 
c)Devido ao grande poder dos líderes messiânicos cujo prestígio era medido pela quantidade de eleitores que controlasse conseguindo desta forma se eleger para os cargos políticos.
d)Em virtude do temor que as profecias dos beatos causavam à população mais pobre, preferindo resignar-se a vida de peregrinações e orações para salvação da alma. 
e)Em razão do clima de insegurança que assolava o campo causado pelo banditismo obrigando a população mais pobre abrigarem-se nos movimentos messiânicos para se proteger.

5-O coronelismo foi uma peça importante da perversa engrenagem que impedia a representatividade política da maioria da população, principalmente a parcela da sociedade mais carente. Podemos definir o coronelismo como:

a)Sistema de poder cujo grupo político que alternava-se no poder federal como forma de garantir a manutenção dos privilégios aos seus respectivos Estados.
b)Sistema de poder que consistia na troca de favores entre o poder estadual e municipal a fim de garantir seus interesses políticos utilizando práticas fraudulentas para vencer as eleições.
c)Sistema de poder no qual o coronel era uma peça secundária e sua participação era ofuscada pela Comissão de Verificação, pois na prática era esta quem declarava os candidatos eleitos.
d)Sistema de poder baseado no coronel o líder político local, grande proprietário de terras que usava jagunços para formar os currais eleitorais, através de práticas de intimidação ao eleitor.
e)Sistema de poder político que arregimentava grande número de seguidores a partir de suas pregações religiosas que convenciam os mais pobres a se submeterem ao seu controle.

6- A Primeira República ou República Velha foi um período da História política do Brasil que se caracterizou pelo afastamento do ideal da República. O que deveria ser um governo para todos na prática era um governo de poucos. Sobre os fatos com os quais podemos caracterizar a Primeira República estão: 
I- Com o “voto de cabresto” os coronéis dominavam as clientelas rurais e manipulavam as eleições; 
II- A política dos governadores consagrava a troca de apoio entre o governo federal e as oligarquias estaduais mantendo o mesmo grupo político no poder.
III- A política do café com leite foi o domínio da sucessão presidencial pelos grandes fazendeiros de Minas Gerais e São Paulo, principalmente os representantes dos cafeicultores paulistas, alternando-se na presidência da República.
IV- O Movimento dos Tenentes - o Tenentismo - que possuía caráter militar contribuiu para consolidar os governos da Primeira República.
V- As fraudes eleitorais eram exceção e não regra neste período, devido ao rigoroso trabalho de fiscalização do processo eleitorado efetuado pela Comissão de Verificação.

Assinale a alternativa verdadeira:
a) Apenas a alternativa I, está correta.
b) As alternativas I,II,III estão corretas.
c) As alternativas I,II,IV e V estão corretas.
d) As alternativas II,III e IV estão corretas.
e) Apenas a alternativa V está incorreta. 

7-Embora fossem movimentos ligados a questão agrária e a falta de justiça no campo Canudos e o Cangaço possuem finalidades distintas. Em relação a esta diferenciação dos objetivos do Cangaço e de Canudos podemos afirmar como correto que:

a)O cangaceiro tinha um fim social na sua prática, pois busca a posse da terra e a justiça social, saqueando e roubando dos ricos para doar aos pobres. Eram considerados os justiceiros pobres.
b)O cangaceiro não tinha nenhum fim social na sua prática, não busca a posse da terra e tampouco a justiça social. Luta simplesmente pela sobrevivência praticando a violência.
c)O cangaceiro é um tipo de bandido social que procura aplicar a justiça contra os desmandos dos poderosos no sertão nordestino.
d)Canudos não tinha nenhum fim social na sua prática, não busca a posse da terra e tampouco a justiça social. Luta simplesmente pela sobrevivência praticando o fanatismo religioso.
e)Canudos tinha um fim social, mas não busca a posse da terra apenas a justiça social mesmo que fosse alcançada por métodos violentos justificados pelo fanatismo religioso.

8- Sobre a Revolta de Canudos, assinale a alternativa INCORRETA. 

a) O seu principal líder foi Antônio Conselheiro.
b) Os sertanejos de Canudos lutavam contra a injustiça e a miséria persistente na região.
c) Caracterizou-se como um movimento de caráter messiânico.
d) A Guerra de Canudos foi tema do livro “Os Sertões”, do escritor Euclides da Cunha.
e) Os revoltosos de Canudos receberam apoio incondicional dos coronéis da região.

9) Os vaqueiros e os peões do interior escutavam o Conselheiro em silêncio, intrigados, atemorizados, comovidos... Alguma vez, alguém o interrompia para tirar uma dúvida. Terminaria o século? Chegaria o mundo ao ano 1900? Ele respondia (...) Em 1896, mil rebanhos correriam da praia para o sertão e o mar se tornaria sertão e o sertão mar (...). Mario Vargas Llosa
O carismático Antonio Conselheiro, de que fala o texto acima, liderou a Revolta de Canudos em 1897. Podemos apontar como principais fatores da revolta:
a) o crescimento e a modernização da economia nordestina.
b) o apoio incondicional do sertanejo à Monarquia.
c) a impossibilidade de adaptação do sertanejo aos valores republicanos.
d) o abandono em que vivia o sertanejo, o coronelismo e a luta pelo acesso à terra.
e) a oposição contra a Igreja Católica, aliada dos monarquistas.

10) (UFRJ97)- “Canudos ficava num cenário que lembrava as paisagens descritas na Bíblia: uma região árida repleta de caatingas, rodeada por cinco serras ásperas e atravessada por um rio, o Vaza-Barris. Decidido a permanecer naquela autêntica fortaleza natural, e isso não deve ter escapado à percepção de Conselheiro, ele e seu grupo entraram em ação para construir uma comunidade onde estivessem livres do incômodo das autoridades religiosas católicas e políticas, bem como das leis republicanas, dos "coronéis", dos juízes, dos impostos, da justiça arbitrária, da política etc”.
(COSTA, Nicola S. Canudos – Ordem e Progresso no Sertão. São Paulo, Moderna, 1990.)
O movimento de Canudos (1896-97), liderado pelo beato Antônio Vicente Mendes Maciel, o "Antônio Conselheiro", no sertão nordestino, é um dos mais conhecidos exemplos de movimentos místico-populares que marcou o início da República no Brasil. As problemáticas sociais que deram vida àquele movimento permanecem, até hoje, em grande parte sem solução.
A) Cite e justifique dois motivos pelos quais o povoado de Canudos incomodava as "autoridades políticas locais e religiosas".


Respostas: 1-b,2-c,3-b,4-a,5-d,6-b,7-b,8-e,9-d.
10) - Permitir o acesso a terra e combater a injustiça.
Ao permitir o acesso a terra a experiência de Canudos acabava na prática com a dependência dos sertanejos aos favores do coronel destruía o esquema de manutenção do poder das elites políticas ao reagir em relação a sujeição da população pobre ao mando dos coronéis e padres representantes do poder vigente.



9º A e B - O mundo do Terceiro Milênio - 4º Bimestre (2016)

Davos X Porto Alegre

No início do século XXI, o embate era nítido. De um lado, os defensores da globalização a qualquer custo; de outro, aqueles que acreditavam que “um outro mundo é possível”. Geograficamente, Davos, na Suíça, e Porto Alegre, no sul brasileiro, explicitavam a enorme distância entre essas duas ideias.

Quatorze anos depois, o Fórum Social Temático, uma atividade militante bianual, entre um Fórum Social Mundial e outro, acontece na mesma Porto Alegre, mas sem o mesmo comparecimento de outras edições, que agitavam corações e mentes mundo afora. Para se ter uma ideia, na edição de 2003, quando Lula marcou presença na condição de presidente eleito, o centro de imprensa credenciou mais de 2.300 jornalistas de diferentes veículos locais e globais. Hoje, as informações sobre o Fórum Social Mundial se resumem a sites e blogues ligados às questões que comovem os movimentos sociais e ambientais, mas carecem de ampla participação. A próxima edição do Fórum Social Mundial em 2015, na Tunísia, dirá se a articulação global mantém força suficiente para enfrentar os grandes temas mundiais.

Já Davos, parece ter crescido em número e importância. São quase 40 chefes de estado e de governo que darão o ar da graça nas montanhas geladas da Suíça, além de uma centena de CEOs das maiores multinacionais do mundo, especialmente do sistema financeiro. Dilma Rousseff é a segunda presidente brasileira a comparecer – sucede Lula, que pretendeu levar a Davos, em 2003, a mensagem de Porto Alegre.

Mas essa vitalidade de Davos, que ganha as páginas dos principais jornais e revistas de economia do planeta, tem mais a ver com a contradição de base que um encontro desse tipo promove. Alertados pela desigualdade galopante em boa parte do mundo, já há anos os organizadores se debruçam sobre estatísticas que, de alguma forma, sensibilizem os investidores e os donos do capital a mudarem suas estratégias de ganho total e permanente. Na prática, é uma espécie de cruzada para que governos e empresas entendam que pobreza não combina com desenvolvimento social e, a médio prazo, se pode estar produzindo uma bomba relógio global.

Não é à toa que até o Papa Francisco enviou uma mensagem aos organizadores pedindo que os participantes do Fórum reflitam sobre as consequências de um sistema injusto como o capitalismo. Já Dilma Rousseff vai falar sobre aquilo que acredita, ou seja, dos avanços sociais de seu governo e da mão sempre estendida para os investimentos externos. Aliás, apesar do tom pessimista que cerca os analistas econômicos em relação ao Brasil, repercutidos diária e incansavelmente pela grande imprensa verde-amarela, o certo é que o país não está tão mal na fita.

Com a palavra, Stephen Rose, diretor da LatinCo, empresa britânica que auxilia instituições europeias a investir no Brasil e presença constante em Davos: “O pessimismo com o Brasil é um pouco exagerado, mas investidores estão certos em questionar a capacidade do governo de trabalhar com a iniciativa privada. O problema maior é que todo mundo fala em pessimismo o tempo todo. Para as pessoas que estão interessadas em investir, que é o meu negócio, isso é o que fica”. Porém, ele acredita que os investidores internacionais estão abertos a mudar de opinião. “Eu acho que há o começo do sinal de mudanças. Há o começo de um pequeno otimismo no Brasil”, diz. “Há pessoas indo a Davos que pensam: ‘será que o pessimismo atual não é exagerado?'”.

Para Irene Mia, diretora de América Latina e Caribe da consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), “o fato de Dilma ir a Davos é bastante importante. É um sinal de um certo desespero do Brasil de dizer ao mundo que o país está aberto para negócios e que há bom potencial para investimentos. E sendo sincero, ainda há muitas oportunidades”.

Por outro lado, as expectativas criadas pelas grandes manifestações de rua de junho passado, parecem sonolentas diante da magnitude que alcançaram naquele momento onde tudo era possível de se reivindicar, à esquerda e à direita. Assim, a realização de um Fórum Social Temático revela que a sociedade civil e, principalmente, os movimentos organizados andaram mais devagar do que os organizadores de Davos, mais preocupados agora em buscar saídas onde ofereçam os dedos mas não percam as mãos. A mesma mão invisível do mercado.



Movimentos sociais na era da internet

Ao mesmo tempo em que o sociólogo espanhol Manuel Castells falava em mais uma palestra do evento Fronteiras do Pensamento, que aconteceu no Teatro Geo na terça-feira desta semana, em São Paulo, a tensão entre manifestantes contra o aumento da passagem de ônibus e a polícia militar chegava às vias de fato a poucos quilômetros dali, na Avenida Paulista. Não estava alheio ao que acontecia na cidade, ao citar o protesto paulistano como uma das inúmeras manifestações de uma indignação que, nos últimos cinco anos, tem começado em um novo espaço social, a internet, para depois chegar às ruas, em massa.

O sociólogo é um dos principais acadêmicos a compreender esta mudança, que é o tema de seu novo livro, chamado Redes de Indignação e Esperança – Movimentos Sociais na Era da Internet, que deve sair no Brasil em setembro, pela editora Zahar. O livro também foi a base para sua conferência, em que começou explicando que qualquer manifestação política começa em nossas mentes para depois materializar-se na prática. “A forma como pensamos, determina a forma como atuamos. Portanto, o que realmente condiona o comportamento da sociedade é o que ocorre em nossas mentes”, explicou. Falou sobre o papel da coerção do estado para manter o poder (“uma tradição que começa em Maquiavel e que foi formalizada melhor por Max Weber”, disse) e como apenas o monopólio da violência – válido ou não – torna este mesmo estado débil. “Pois ao mesmo tempo há outra tradição, que inclui Bertrand Russell, Foucault e também Gramsci, que insiste no papel decisivo da persuasão para a manutenção do poder, pela maneira implícita e explícita de influenciar nossa maneira de pensar”, explicou, antes de cravar que “afinal, manipular as mentes é muito mais eficaz do que torturar os corpos”.

Com esta introdução ele explicou que a atuação do poder – de qualquer natureza, político, econômico, militar, tecnológico, etc. – não acontece sozinha, e sim com a participação da sociedade civil. “Nossas mentes vivem imersas em um ambiente de comunicação, onde construímos nossa forma de pensar e, portanto, de fazer o que fazemos”, considerou, lembrando que, com a chegada das tecnologias digitais, não temos mais como fugir deste ambiente – cada vez mais intenso, veloz e, portanto, mais decisivo para definirmos nossas posições e preferências, tanto quanto indivíduos como sociedade.

Eis o centro de sua palestra: o impacto que estas novas tecnologias imprimiram primeiro à sociedade, depois aos meios de comunicação – ou à “arena da comunicação”, frisando que não mais podemos separar o público dos grupos que antes controlavam este debate – e, finalmente, aos poderes políticos constituídos. “O poder político é construído no espaço da comunicação”, frisou, “este é o espaço em que se joga o poder”. Exemplificou o impacto da internet na sociedade moderna, primeiro em números, citando que há quase o mesmo número de linhas de telefones celulares ativas no mundo que de pessoas (“Sem nos esquecer que bebês – ainda – não usam celulares”, brincou), e como a evolução do digital e das tecnologias móveis aceleram um processo que está mudando a cara da política. “A humanidade está conectada”, atestou, “e isso aconteceu num espaço duas décadas, sobretudo nos últimos dez anos.”

Lamentou a crise do jornalismo, agente que funcionaria como mediador entre os poderes e as pessoas, mas que tem perdido o contato com o público por não saber dialogar com a nova realidade digital e estar obcecado com números de audiência – antes fáceis de ser conseguidos e que agora dispersam-se pois os espectadores e leitores não são mais “vegetativos” – como explicitou no caso do público da TV – e que consomem muito mais informação que antes, por canais diferentes. “O uso da internet se aprofundou pois novos espaços sociais de interação foram ocupados, cada vez mais personalizados”, continuou, listando redes sociais e enfatizando que o até o e-mail já perdeu seu espaço. “Há mais de 500 milhões de blogs atualizados diariamente, a maioria na China, e as redes sociais, hoje onipresentes, existem há menos de dez anos”, além de salientar que a internet se tornou um espaço multicultural, em que o inglês, por exemplo, perdeu a dominância: “Menos de 29% da internet é escrita em inglês”, reforçou.

Este novo cenário resulta na crise total do negócio tradicional da comunicação, disse Castells. “Ninguém ainda encontrou a resposta para a questão da perda do monopólio nas transmissões das mensagens. Todos os grandes meios de comunicação em todo o planeta estão em profunda crise empresarial, pois tentam se apropriar de um modelo que não entendem. É um problema mental – e generalizado no mundo todo. A internet é ativa, os outros meios eram passivos”, refletiu.

Castells também falou sobre como enfraquecimento dos meios tradicionais de comunicação afetou a política, que hoje busca um rosto para representar o poder, não apenas ideologias ou partidos. Disse que isso acontece pois há uma crise de representação de poder que encontra eco nos novos espaços sociais e faz que a sociedade se pergunte sobre seu papel nestes novos tempos.

O novo cenário é composto não apenas de veículos de comunicação de massa e ambientes digitais que permitem discussões entre as pessoas, mas de uma nova forma de comunicação, que chama de “autocomunicação de massas”. Ele explica o termo: “É de massas porque pode alcançar, potencialmente, milhões e milhões de pessoas. Não ao mesmo tempo, mas uma pequena rede se conecta a muitas redes que se conecta a muitas redes e se chega a todo o mundo”, definiu, “e é ‘auto’ porque há autonomia na emissão das mensagens, na seleção da recepção das mensagens, na criação de redes sociais específicas. Assim, a capacidade de encontrar informação é ilimitada, se você tem critérios de busca – que não são tecnológicos e sim metais ou intelectuais.”

E a partir daí começou a conclusão de sua conferência, explicando que movimentos como o que propôs a criação coletiva da constituição da Islândia, os Indignados na Espanha, o Occupy Wall Street nos Estados Unidos, a Primavera Árabe e o grupo Anonymous são parte de um mesmo movimento, coletivo e global, que não é político e sim social. “São estes movimentos, sociais e não políticos, que realmente mudam a história, pois realizam uma transformação cultural, que está na base de qualquer transformação de poder”, salientou.

Disse que estes movimentos começam na internet mas não são essencialmente digitais. “Eles só tornam-se visíveis e passam a existir de fato quando tomam as ruas”, explicou, reforçando que estes movimentos acontecem há apenas cinco anos e que eles não têm lideranças, que repudiam a violência e que embora não tenham objetivo definido, encontrem coincidências e semelhanças ao indignar-se. “São movimentos emocionais e que se unem pela recuperação de uma dignidade que se perdeu. Às vezes eles começam pequenos e parecem que se mobilizam por pouca coisa, mas que funcionam como apenas uma gota a mais em uma indignação que existe em todos os setores sociais, que as pessoas não aguentam mais”, realçando que isso pode ser a construção de um shopping para turistas na praça Taksim na Turquia ou no aumento de centavos nas passagens de ônibus em São Paulo. “Centenas de milhões de pessoas já participaram destes movimentos”, continua, “e são movimentos que podem ter saído das ruas, mas não desapareceram. Eles continuam online. Quando vem a repressão física, eles se retiram das ruas, rediscutem online. Não têm líderes nem programa, mas têm a capacidade de resistir e de renascer a qualquer momento. Isso só acontece porque há a capacidade de autocomunicação de massa que os permitiu existir”.

E conclui: “A palavra ‘dignidade’ aparece em todos os países, em todos estes movimentos, em diferentes países e culturas. Eles não têm uma reivindicação concreta, mas querem o reconhecimento da própria dignidade, pois as pessoas não se vêem reconhecidas como pessoas ou cidadãos”. Castells reforçou que as semelhanças entre movimentos que partem de causas tão distintas apenas enfatizam seu papel no século 21 – e compara o que está acontecendo nos últimos anos com o que aconteceu nos últimos 40 anos no que diz respeito às mulheres, sem se referir a um autor, ideologia ou movimento feminista específico. “Foi um movimento coletivo, em que todas as mulheres do mundo decidiram abandonar o papel de sujeitada para assumirem o papel de sujeitas da história”, reforçou, lembrando os avanços da ascensão do papel da mulher na sociedade na última metade de século, principalmente em comparação a milênios de história. E, segundo ele, isso está acontecendo de novo, nesta nova forma de manifestação social – que demanda mudanças culturais mais do que políticas.

O império estadunidense


A construção de um império, em particular um império capitalista no início do século XXI, requer uma elaborada arquitetura militar, para poder expandir, proteger e consolidar os grandes interesses econômicos, essenciais para os impérios modernos. Enquanto os "teóricos globalistas" escrevem sobre as "classes dominantes mundiais" e o "fim do Estado-nação", o aparato militar do Estado imperial tem crescido enormemente durante a última década e tem uma importância fundamental para promover e proteger as corporações, os bancos e as empresas de importação-exportação baseadas nos EUA. 

O objetivo deste artigo é descrever e analisar o alcance, a profundidade e a estratégia do aparato militar dos EUA na América Latina - destacar seus múltiplos enlaces e controles sobre os militares e como estes controles se dirigem a aumentar o poder do Estado imperial norte-americano. As vastas operações dos militares dos EUA e o êxito alcançado em forjar instituições militares dependentes, mediante uma complexa rede de programas e atividades conjuntas, refutam a retórica sem sentido sobre o governo das "corporações globais". Para demonstrar a importância do militar, este artigo se centrará no Império norte-americano na América Latina. 

Em um primeiro momento, analisar-se-ão os interesses econômicos estratégicos dos EUA e a justificação ideológica da expansão militar norte-americana na América Latina. Posteriormente, centrar-se-á na arquitetura do império militar, especialmente no estabelecimento de relações de dependência ou mercenárias. Dando seqüência a essa análise, serão tratados os objetivos operativos e a propaganda desenhada para legitimar a militarização da política latino-americana submetida à tutela
dos EUA. Na conclusão, será discutido o fenômeno duplo da expansão do controle militar dos EUA e o fortalecimento do papel dos militares nas decisões sobre as prioridades da política latino-americana; o impacto sobre o sustento e as estruturas do sistema político; e o papel do Império norte-americano em esboçar a política inter-americana. 

As instituições militares estratégicas, assim como as políticas dirigidas à América Latina, têm sido detalhadas sucintamente pelo General Peter Pace, Infantaria da Marina dos EUA, Comandante Chefe do Comando Sul dos EUA (em inglês US SOUTH COM). A área de responsabilidade do US SOUTH COM abraça toda a América Central e a América do Sul, Caribe e as águas que a rodeiam, totalizando mais de 15,6 milhões de milhas quadradas e mais de 404 milhões de pessoas. Este informe se baseia no testemunho do General Pace frente ao Comitê de Serviços das Forças Armadas do Senado dos EUA em 27 de março de 2001.



PARA REFLETIR NÃO APENAS NO MÊS DE NOVEMBRO, MAS SEMPRE!!

Vídeos que nos levam a refletir:

Muito louco, fiquei perturbado com o da União Europeia
Esse é pra entender como o preconceito e o racismo estão ligados a história (única)

Racismo estrutural - que loucura, digo, que lógica perversas.

Racismo por Emicida.

Teste 1!

Teste 2!


PALAVRAS DE UM ESTUDANTE

Felipe Cândido Silva, aluno do Ensino Médio da Escola Professor Souza da Silveira, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi premiado no Concurso de Redação Folha Dirigida 2009. Felipe escreveu sobre o racismo no Brasil.
Confira:
Programa de reflexões e debates para a Consciência Negra
Por Felipe Cândido da Silva
Todos sabemos que no mundo há grandes diferenças entre  pessoas e que, por estupidez e ignorância, cria-se o preconceito, que gera muitos conflitos e desentendimentos, afetando muita gente. Porém, onde estão os Direitos Humanos que dizem que todos são iguais, se há tanta desigualdade no mundo?
Manchetes de jornais relatam: “Homem negro sofre racismo em loja”; “Mulheres recebem salários mais baixos que os homens”; “Rapaz homossexual é espancando na rua”; “Jovens de classe alta colocam fogo em mendigo”; “Hospitais públicos em condições precárias não conseguem atender pacientes”; “Ônibus não param para idosos”. “Escola em mau estado é interditada e alunos ficam sem aula”; e muitas outras barbaridades. Isso mostra que os governantes não estão fazendo a sua parte.
Mas pequenos gestos do dia a dia – como preferir descer do ônibus quando um negro entra nele; sentar no lugar de idosos, gestantes e deficientes físicos, humilhar uma pessoa por sua religião, opção sexual ou por terem profissões mais humildes – mostram que também precisamos mudar.
A questão da etnia vem sendo discutida no mundo todo, inclusive no Brasil, que é um país mestiço, onde ocorre a mistura, principalmente, de negros, brancos e índios. Por mais que se diga que todas as pessoas são iguais, independente da cor de sua pele, o racismo continua existindo. Músicas, brincadeiras, piadas e outras formas são usadas para discriminar os negros. Até mesmo a violência se faz presente, sem nenhum motivo lógico.
As escolas fazem sua parte criando disciplinas que mostram a importância que cada cultura tem para a cultura geral do  país. E educando as crianças para que não cometam os mesmos erros dos mais velhos, pois preconceito se aprende, ninguém nasce com ele.
Enfim, cada pessoa pode fazer a sua parte, acabando com qualquer tipo de discriminação que existe, com qualquer tipo de preconceito que sente, percebendo que todos nós somos iguais, independente de raça, credo, idade, condição social ou opção sexual. Esse é o primeiro passo para que cada um respeite os direitos dos outros. O direito de um acaba quando começa o do outro. E com a população conhecendo seus direitos e praticando seus deveres ela fica mais unida. E a voz que grita para que os direitos humanos sejam exercidos soará bem mais alta, pois já diz o ditado: “A união faz a força”.
Gostou do texto, comente, escreva um também, incentive outros colegas a refletirem sobre o tema.

REFLITAM!!

domingo, 6 de novembro de 2016

DICAS PARA CONFECÇÃO DOS TRABALHOS SOBRE O MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA

SOBRE DADOS ESTATÍSTICOS:


SOBRE DADOS POPULAÇÃO CARCERÁRIA:

SOBRE ARGUMENTOS PARA ENTENDER O RACISMO:


SOBRE MASCARAS AFRICANAS:
SOBRE SINCRETISMO:
SOBRE ESCOLARIZAÇÃO:
SOBRE RENDA:
PESQUISEM E TIREM UM 10!!!