quarta-feira, 16 de março de 2016

9º A e B - Revolução de 30 no Brasil - 1ª Bimestre (2016)

REVOLUÇÃO DE 30 NO BRASIL

No fim da década de 1920, os setores que contestava mas instituições da República Velha não tinham possibilidade de êxito:os tenentes, após vários insucessos, estavam marginalizados ou no exílio; as classes médias urbanas não tinham autonomia para se organizar. Todavia, uma oportunidade abrir-se-ia para esses setores:uma nova divergência entre as oligarquias regionais e o golpe sofrido pelo setor cafeeiro com a crise mundial de 1929.



Getúlio Vargas e sua comitiva em ItararéSão Paulo

Os antecedentes da Revolução de 30


Dos diversos acontecimentos que marcaram o ano de 1922, o mais famoso ocorreu no Rio de Janeiro, tendo o dia 5 de julho como o ápice do movimento conhecido como "Os 18 do Forte".



Havia no interior do exército forte disposição contra a posse do presidente eleito Artur Bernardes, representante das elites tradicionais, criticado pelos militares. Dois episódios haviam agravado as tensões mesmo antes da eleição: a prisão do Marechal Hermes da Fonseca, então Presidente do Clube Militar, e as "cartas falsas" que teriam sido escritas pelo candidato à presidência Artur Bernardes e endereçadas ao político mineiro e Ministro da Marinha, Dr. Raul Soares - publicadas na imprensa, criticando os militares.

O Forte de Copacabana se revolta no dia 2 de julho. Era comandante do Forte o Capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do Marechal.

O movimento, que deveria se estender para outras unidades militares, acabou se restringindo ao Forte de Copacabana. Apesar das críticas realizadas, a alta oficialidade manteve-se fiel a "ordem" e não aderiu ao movimento, que acabou abortado nas outras guarnições.



Durante toda manhã do dia 5 o Forte de Copacabana sustentou fogo cerrado. Diversas casas foram atingidas na trajetória dos tiros até os alvos distantes, matando dezenas de pessoas. Eram 301 revolucionários - oficiais e civis voluntários - enfrentando as forças legalistas, representadas pelos batalhões do I Exército. A certa altura dos acontecimentos, Euclides Hermes e Siqueira Campos sugeriram que os que quisessem, abandonassem o forte: restaram 29 combatentes. Por estarem acuados, o Capitão Euclides Hermes saiu da fortaleza para negociar e acabou preso. Os 28 que permaneceram, decidiram então "resistir até a morte", A Bandeira do Forte é arriada e rasgada em 28 pedaços, partindo depois em marcha pela Avenida Atlântica rumo ao Leme. Durante os tiroteios, dez deles dispersaram pelo meio do caminho e os tais 18 passaram a integrar o pelotão suicida. Após a morte de um cabo, ainda no asfalto com uma bala nas costas, os demais saltaram para a praia, onde aconteceram os últimos choques. A despeito dos que tombaram mortos na areia, os remanescentes continuaram seguindo em frente. Os únicos sobreviventes foram Siqueira Campos e Eduardo Gomes, embora tivessem ficado bastante feridos.

Revolução de 1924, tal revolução ocorreu em São Paulo e foi um conflito armado entre o Governo Federal, representado na figura do Presidente Arthur Bernardes, e parte das Forças Armadas. O movimento revoltoso foi classificado por seus oponentes como mashorca¹, conspiração, subversão, sedição, conluio, motim e revolta. Essa visão foi preservada por muitos que escreveram posteriormente sobre os acontecimentos de 1924. A Revolução foi definida como uma revolta contra a Pátria, sem fundamento, encabeçada por membros “desordeiros” do Exército Brasileiro. Já a população paulista foi apresentada como vítima ou agente imparcial diante dos eventos, o que de fato não ocorreu.



Sabemos que a escrita da história é repleta de intencionalidades e que as percepções acerca do passado são múltiplas. Porém, nas disputas pela memória, existem tensões entre diversos grupos sociais, e alguns tentam fazer valer uma versão unilateral dos acontecimentos, que acaba se convertendo em versão oficial. Talvez essa seja a grande riqueza ao analisar o passado sob a perspectiva de nosso presente: perceber a construção e desconstrução de memórias e romper com o silêncio imposto àqueles que são chamados frequentemente de “vencidos”. A Revolução de 1924 é um desses eventos esquecidos, que são deixados em um quarto escuro até que alguns resolvam acender a luz e esmiuçá-lo. Acenda AQUI.

A Comuna de Manaus foi um movimento tenentista ocorrido no Amazonas no ano de 1924. O Tenentismo já havia ocorrido em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Pará, entre outros locais. Deflagrada a 23 de julho de 1924, a rebelião dos militares de Manaus situa-se dentro de um quadro geral dos movimentos liderados por militares tenentes que naquele momento formularam críticas ao poder estabelecido, atingindo-o na esfera jurídico-política. Militares que procuraram demonstrar o abuso do poder, por parte dos civis (dos oligarcas que estavam controlando o governo). No caso de Manaus, a oligarquia cujo domínio se contestava, reunia-se em torno do nome de César do Rego Monteiro. Leia mais AQUI.

A Coluna Prestes, grupos de militares paulistas liderados pelo general Isidoro Dias Lopes, Miguel Costa e também pelos tenentes Eduardo Gomes, Joaquim Távora e Juarez Távora fugiram de São Paulo devido aos bombardeios sofridos e se uniram, no estado do Paraná, às tropas gaúchas, que vieram da cidade de Alegrete, Rio Grande do Sul, onde o movimento teve início. Os gaúchos tinham como líderes: Siqueira Campos, João Alberto e Luis Carlos Prestes, que originou o nome do movimento.


A Coluna Prestes chegou a ter aproximadamente 1500 componentes, entre militares e simpatizantes do movimento, sendo seu núcleo fixo formado por cerca de 200 homens. As mulheres também fizeram parte da marcha, embora em número bem reduzido. Além das baixas ocorridas durante o percurso, a permanência no agrupamento não era constante, já que as difíceis condições enfrentadas pelos rebeldes, os perigos e as permanentes represálias sofridas faziam com que a maioria abandonasse a causa.

Esse grupo percorria as cidades, especialmente no interior, caminhando e entrando em contato com as pessoas, tentando esclarecê-las sobre seus objetivos e posicioná-las contra a forma de governo vigente. Alguns dos objetivos da coluna:
  • fim da exploração dos mais pobres pelos coronéis,
  • acabar com a falta de democracia;
  • acabar com as fraudes eleitorais;
  • implantar o voto secreto;
  • instituir o ensino fundamental a todos os brasileiros;
  • acabar com a miséria e a desigualdade no país, etc.

A tática de combate escolhida pela Coluna Prestes era a de burlar os ataques e confrontos com as tropas federais, por isso, acredita-se que as baixas ocorriam em maior número devido às doenças e não pelas batalhas. Sabendo não ter chances num confronto direto contra as tropas inimigas, o despistamento era usado pelo grupo, que espalhava boatos sobre um suposto local para onde estaria se dirigindo, quando, na verdade, estava bem distante desse lugar.

Interpretada como a revolução que pôs fim ao predomínio das oligarquias no cenário político brasileiro, a Revolução de 30 contou com uma série de fatores conjunturais que explicam esse dado histórico. O próprio uso do termo ‘revolução’ como definidor desse fato, pode, ainda, restringir outras questões vinculadas a esse importante acontecimento. Em um primeiro momento, podemos avaliar a influência de alguns fatores internos e externos que explicam o movimento.

No âmbito internacional, podemos destacar a ascensão de algumas práticas capitalistas e a própria crise do sistema capitalista. Cada vez mais, a modernização das economias nacionais, inclusive a brasileira, só era imaginada com a intervenção de um Estado preocupado em implementar um parque industrial autônomo e sustentador de sua própria economia. Em contrapartida, o capitalismo vivia um momento de crise provocado pelo colapso das especulações financeiras que, inclusive, provocaram o “crash” da Bolsa de Nova Iorque, em 1929.

Apático a esse conjunto de transformações, os governos oligárquicos preferiam manter a nação sob um regime econômico agroexportador. Dessa forma, a economia brasileira sofreu, principalmente nas primeiras décadas do século XX, graves oscilações em seu desempenho econômico. Em outras palavras, a economia brasileira só ia bem quando as grandes potências industriais tinham condições de consumir os produtos agrícolas brasileiros.

Defendendo essa política conservadora e arcaica, as elites oligárquicas acabaram pagando um alto preço ao refrear a modernização da economia brasileira. De um lado, as camadas populares sofriam, cada vez mais, o impacto de governos que não criavam efetivas políticas sociais e, ao mesmo tempo, não dava atenção aos setores sociais emergentes (militares, classes média e operária). Por outro, as próprias oligarquias não conseguiam manter uma posição política homogênea mediante uma economia incerta e oscilante.


Fatos que marcaram o processo da Revolução de 30

Nesse contexto, podemos compreender que a crise das oligarquias foi um passo crucial para a revolução. Com o impacto da crise de 1929, o então presidente paulista Washington Luís resolveu apoiar a candidatura de seu conterrâneo Júlio Prestes. Conhecida como “Política do Café Puro”, a candidatura de Júlio Prestes rompeu com o antigo arranjo da “Política do Café com Leite”, em que os latifundiários mineiros e paulistas se alternariam no mandato presidencial.

Insatisfeitos com tal medida, um grupo de oligarquias dissidentes – principalmente de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba – criaram uma chapa eleitoral contra a candidatura de Júlio Prestes. Conhecida como Aliança Liberal, a chapa encabeçada pelo fazendeiro gaúcho Getúlio Dorneles Vargas prometia um conjunto de medidas reformistas. Entre outros pontos, os liberais defendiam a instituição do voto secreto, o estabelecimento de uma legislação trabalhista e o desenvolvimento da indústria nacional.


O desfecho da Revolução de 30

Sob um clima de desconfiança e tensão, o candidato Júlio Prestes foi considerado vencedor das eleições daquele ano. Mesmo com a derrota dos liberais, um possível golpe armado ainda era cogitado. Com o assassinato do liberal João Pessoa, em 26 de julho de 1930, o movimento oposicionista articulou a derrubada do governo oligárquico com o auxílio de setores militares.

Depois de controlar os focos de resistência nos estados, Getúlio Vargas e seus aliados chegam ao Rio de Janeiro, em novembro de 1930. Iniciando a chamada Era Vargas, Getúlio ficaria por quinze anos ininterruptos no poder (1930 – 1945) e, logo depois, seria eleito pelo voto popular voltando à presidência entre os anos de 1951 e 1954.

Mais informações AQUI.


RESUMINDO

O que foi:

Foi um movimento de revolta armado, ocorrido no Brasil em 1930, que tirou do poder, através de um Golpe de Estado, o presidente Washington Luiz. Com o apoio de chefes militares, Getúlio Vargas chegou à presidência da República.


Contexto Histórico:

Antes da Revolução de 1930, o Brasil era governado pelas oligarquias de Minas Gerais e São Paulo. Através de eleições fraudulentas, estas oligarquias se mantinham no poder e conseguiam alternar, na presidência da República, políticos que representavam seus interesses. Esta política, conhecida como “café-com-leite”, gerava descontentamento em setores militares (tenentes) que buscavam a moralização política do país.

Nas eleições de 1930, as oligarquias de Minas Gerais e São Paulo entraram em um sério conflito político. Era a vez de Minas Gerais indicar o candidato a presidência, porém os paulistas apresentaram a candidatura de Júlio Prestes (fluminense que fez carreira política em São Paulo). Descontentes, muitos políticos mineiros apoiaram o candidato de oposição da Aliança Liberal, o gaúcho Getúlio Vargas (governador do RS). 


Causas da Revolução:

- Nas eleições de 1930, venceu o candidato Júlio Prestes, apoiado pela elite de São Paulo. Com vários indícios de fraude eleitoral, Getúlio Vargas e os políticos do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba ficaram muito insatisfeitos.

- Em julho do mesmo ano, o candidato a vice-presidente de Getúlio Vargas, o paraibano João Pessoa, foi assassinado. O fato gerou revolta popular em várias regiões do Brasil. Estes conflitos eram, principalmente, entre partidários da Aliança Liberal e defensores do governo federal.

- A Crise de 1929, também conhecida como “A Quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque” espalhou uma forte crise econômica pelos quatro cantos do mundo. Esta crise atingiu fortemente a economia brasileira, gerando desemprego e dificuldades financeiras para o povo brasileiro. Este fato contribuiu para o clima de insatisfação popular com o governo de Washington Luiz.

- O clima de conflitos e forte insatisfação popular em várias regiões do Brasil gerou preocupação em setores militares de alto comando, que enxergavam a possibilidade de uma guerra civil no Brasil.


O Golpe de 1930:

A situação do presidente Washington Luiz era crítica, porém o mesmo não pretendia renunciar ao poder. Então, chefes militares do Exército e Marinha depuseram o presidente, instalaram uma junta militar que, em seguida, transferiu o poder para Getúlio Vargas.


Conclusão

Com o Golpe de 1930 terminou o domínio das oligarquias no poder. Getúlio Vargas governou o Brasil de forma provisória entre 1930 e 1934 (governo provisório). Em 1934, foi eleito pela Assembleia Constituinte como presidente constitucional do Brasil, com mandato até 1937. Porém, através de um golpe com apoio de setores militares, permaneceu no poder até 1945, período conhecido como Estado Novo.

Filme sobre a Revolução de 30 no Brasil




Lista exercícios com gabarito:

  1.  AQUI;
  2.  AQUI;
  3.  AQUI;
  4.  AQUI.

1- MACKENZIE 2007
A criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, pelo decreto de 26 de novembro de 1930, indicava a intenção de Getúlio Vargas, já no início do Governo Provisório, de
a) combater o trabalho escravo nas zonas rurais, onde a inexistência de uma legislação trabalhista eficaz permitia constantes abusos de fazendeiros, em particular na exploração da mão-de-obra feminina e infantil.
b) manter, sem alterações significativas, a política dos governos anteriores em relação ao operariado, ou seja, a de mera repressão policial e de proibição da organização sindical.
c) criar uma política que regulamentasse tanto as atividades operárias quanto as patronais, e que, por conseguinte, permitisse reunir no Estado meios de controle sobre ambas as classes sociais. d) implantar um modelo de política trabalhista como o da União Soviética, cuja organização de trabalhadores se fazia inteiramente sob a égide do Estado.
e) reduzir ao mínimo a intervenção do Estado nas relações litigiosas entre empresários e trabalhadores, cabendo ao Ministério apenas oficializar os acordos resultantes da livre negociação.

2- FGV ECONOMIA 2007 Em muitos aspectos, a Era Vargas (1930-1945) implementou mudanças no país em relação à Primeira República (1889-1930), pois
a) promoveu as bases da industrialização, ao empreender uma política econômica intervencionista e protecionista, além de orientar sua política, externa na busca de recursos para implantar empresas nacionais. b) passou a tratar a questão social como caso de polícia, reprimindo as organizações da classe operária com o fechamento de jornais, associações e sindicatos, embora permitisse sua representação no Congresso.
c) estabeleceu um Estado federativo, conferindo aos estados bastante autonomia ao permitir que contraíssem empréstimos no exterior e estabelecessem impostos, sem necessidade de consulta ao governo federal.
d) desenvolveu uma nova política de valorização do café, por meio da compra e estocagem dos excedentes pelos governos estaduais e por constantes desvalorizações cambiais para favorecer os exportadores.
e) autorizou a pluralidade sindical, porém os sindicatos ficaram atrelados ao Ministério do Trabalho, graças ao imposto de seus associados, e reuniam patrões e empregados, à semelhança do corporativismo fascista.

3- FGV ADMINISTRAÇÃO 2007
 "O populismo brasileiro surge sob o comando de Vargas e os políticos a ele associados (.). No conjunto, entretanto, trata-se de uma política de massas específica de uma etapa das transformações econômicosociais e políticas no Brasil. Trata-se de um movimento político, antes do que um partido político. Corresponde a uma parte fundamental das manifestações verificadas nos setores industriais e, em menor escala, agrário. Além disto, está em relação dinâmica com a urbanização e os desenvolvimentos no setor terciário da economia brasileira. Mais ainda, o populismo está relacionado tanto ao consumo em massa, como com o aparecimento da cultura de massas. Em poucas palavras, o populismo brasileiro é a forma política assumida pela sociedade de massas no país."
IANNI, Octávio. O Colapso do Populismo no Brasil. 3. ed., Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975, pp. 206-207.
É correto afirmar, a partir da leitura do fragmento acima, que:
a) Getúlio Vargas e os políticos a ele associados implantaram o populismo no Brasil com propostas nacionalistas e um discurso demagógico.
b) O populismo resulta predominantemente de uma prática personalista diante dos movimentos de massa urbanos.
c) O populismo é uma política que corresponde à ascensão dos movimentos de massa e às transformações geradas pela urbanização e o desenvolvimento do setor terciário. d) Por meio de uma política populista e protecionista, Vargas conseguiu resolver os problemas do setor industrial brasileiro.
e) O populismo é apenas uma linguagem, uma tática discursiva eleitoreira que corresponde ao aparecimento de uma cultura de massa.

4- UNIFESP 2007
O Secretariado do CSN (Conselho de Segurança Nacional), em 11.05.1939, admite a indústria estatal como solução para o problema em decorrência da imperiosa força maior e em caráter transitório. Com base no texto, pode-se afirmar que
a) o regime do Estado Novo decidiu-se pela construção da siderúrgica de Volta Redonda, por causa da pressão do Exército brasileiro, então sob controle de generais progressistas.
b) Getúlio Vargas aproveitou-se das circunstâncias favoráveis da época, como a iminência da guerra entre as potências capitalistas, para implantar no país a indústria de base. c) o Exército acabou por concordar com a criação de uma indústria estatal de base, em troca de sua permanência no poder e da garantia dada por Getúlio Vargas de que o Brasil não entraria em guerra.
d) o país estava seguindo uma tendência dominante naquele momento, estimulada pelos Estados
Unidos, visando criar infra-estrutura econômica para absorver seus produtos.
e) o projeto visando criar a primeira companhia estatal brasileira, no ramo da siderurgia, resultava tanto da
abundância do minério de ferro no país quanto da pressão da opinião pública nesse sentido.

5-UNESP JULHO DE 2006
Queremos um Estado integrador que, diferentemente do Estado anárquico atual, imponha sua peculiar autoridade sobre todas as classes, sejam sociais ou econômicas.
A era ruinosa da luta de classes está chegando ao fim...
(Manifesto do Bloco Nacional de Espanha, 1934.)
Os autores do manifesto defendem o surgimento de um modelo de Estado
a) fascista. b) liberal. c) anarquista. d) neoliberal. e) social-democrata.

6- FATEC JULHO 2006 Em alguns países latino-americanos surgiram, a partir de 1930, regimes populistas como os de Getúlio, no Brasil, Juan Domingo Perón, na Argentina, e Lázaro
Cárdenas, no México. Esses regimes caracterizavam-se por defender:
a) a redistribuição de renda entre as camadas mais pobres da população.
b) reformas sociais limitadas, para manter o apoio popular.
c) o aumento salarial para todos.
d) a ampliação do mercado interno.
e) a reforma agrária.

7- PUC SP 2006 "O próprio Bismarck parece não ter-se preocupado muito com o simbolismo, a não ser pela criação de uma bandeira tricolor, que unia a branca e preta prussiana com a nacionalista liberal preta, vermelha e dourada (...)."
(Eric Hobsbawn. A invenção das tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984, p. 281)
"Hitler escreve a propósito da bandeira: 'como nacional-socialistas, vemos na nossa bandeira o nosso programa. Vemos no vermelho a idéia social do movimento, no branco a idéia nacionalista, na suástica a nossa missão de luta pela vitória do homem ariano e, pela mesma luta, a vitória da idéia do trabalho criador que como sempre tem sido, sempre haverá de ser anti-semita'." (Wilhelm Reich. Psicologia de massas do fascismo. São Paulo: Martins Fontes, 1988, p. 94-5)
A composição das duas bandeiras a que os textos se referem presta-se, nos dois casos, a
a) representar o caráter socialista do Estado alemão moderno, daí a presença do vermelho nas duas bandeiras.
b) identificar o projeto político vitorioso e dominante com o conjunto da sociedade e com o Estado alemão. c) defender a paz conquistada após os períodos de guerra, daí a presença do branco nas duas bandeiras.
d) valorizar a diversidade de propostas políticas existentes, caracterizando a Alemanha como país democrático e plural.
e) demonstrar o caráter religioso e cristão do Estado alemão, daí a presença do preto nas duas bandeiras.

8- UNIFESP 2006  Para o historiador Arno J. Mayer, as duas guerras mundiais, a de 1914-1918 e a de 1939-1945, devem ser vistas como constituindo um único conflito, uma segunda Guerra dos Trinta Anos. Essa interpretação é possível pelo fato
a) de as duas guerras mundiais terem envolvido todos os países da Europa, além de suas colônias de ultramar.
b) de prevalecer antes da Segunda Guerra Mundial o equilíbrio europeu, tal como ocorrera antes de ter início a primeira Guerra dos Trinta Anos, em 1618.
c) de, apesar da paz do período entre guerras, a Segunda Guerra ter sido causada pelos dispositivos decorrentes da Paz de Versalhes de 1919. d) de terem ocorrido, entre as duas guerras mundiais, rebeliões e revoluções como na década de 1640.
e) de, em ambas as guerras mundiais, o conflito ter sido travado por motivos ideológicos, mais do que imperialistas.

9- MACKENZIE 2006 O totalitarismo, fenômeno histórico europeu, pode ser definido como um regime político organizado segundo a idéia de que o cidadão, bem como as instituições da sociedade, deve submeter-se totalmente à autoridade do Estado. O poder, ditatorial, é centralizado num partido único, organizado em torno de um líder autoritário.
São exemplos de totalitarismo
a) a França de Napoleão e a Alemanha de Bismarck.
b) a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini.
c) os EUA de Roosevelt e a URSS de Stálin.
d) o Brasil de Vargas e a Argentina de Perón.
e) a Espanha de Franco e a Inglaterra de Churchill.

10- MACKENZIE JULHO 2005
A 26 de julho de 1930, João Pessoa foi assassinado em uma confeitaria do Recife por João Dantas, um de seus adversários políticos. Tal fato desencadeou a Revolução
de 1930, que tinha como antecedente importante
a) a vitória da Aliança Liberal nas eleições, contestada pela oposição, que alegava fraude no processo eleitoral.
b) a cisão entre as oligarquias paulista e mineira nas eleições de 1930, além da crise mundial de 1929, que atingiu duramente a cafeicultura paulista. c) o apoio de Luís Carlos Prestes à Revolução de 1930, seguindo os objetivos do Tenentismo.
d) a adesão de Júlio Prestes às oligarquias dissidentes do Rio Grande do Sul, Paraíba e Minas Gerais, que condenavam a postura de Washington Luís.
e) a forte oposição dos Tenentes ao movimento revolucionário de 1930, visto pelo grupo como oligárquico e sem propostas reformistas.

11- FGV 2005
O código eleitoral de 1932 significou um avanço importante em termos de exercício da democracia no Brasil. Entre as medidas nele consagradas estavam:
a) Direito de voto para maiores de 18 anos, direito de voto para os analfabetos, direito de voto para as mulheres.
b) Introdução do voto secreto, direito de voto para maiores de 18 anos, direito de voto para analfabetos.
c) Criação da justiça eleitoral, voto censitário, direito de voto para maiores de 18 anos.
d) Voto censitário, direito de voto para analfabetos, introdução do voto secreto.
e) Introdução do voto secreto, criação da justiça eleitoral, direito de voto para as mulheres. 
12- FATEC JULHO 2005
O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), criado em 1930 por Getúlio Vargas,
a) era um órgão que garantia a liberdade artística, jornalística e dos demais meios de comunicação do Brasil na era Vargas.
b) promovia manifestações cívicas, nas quais os sindicatos de esquerda tinham um papel importante de conscientização das massas.
c) estimulava a produção de filmes nacionais e concursos de música e defendia o direito de os sindicatos realizarem seus comícios e suas greves.
d) aproveitou-se do programa Hora do Brasil, que, além de transmitir notícias políticas e informações, servia como porta de entrada para as idéias liberais de Vargas.
e) era responsável por controlar os meios de comunicação e promover a propaganda do Estado Novo.

13- FGV 2005 
Eram características da doutrina defendida pela Ação Integralista Brasileira:
a) Defesa da ditadura do proletariado e combate à democracia.
b) Liberalismo econômico e autoritarismo político.
c) Liberdade de expressão e defesa da reforma agrária.
d) Concepção corporativista de sociedade e ideologia nacionalista.
e) Ateísmo e perspectiva totalitária.



ESTUDEM!!!!

segunda-feira, 14 de março de 2016

BOAS VINDAS AOS NOVOS ALUNOS E ALUNAS DO CLEMENTE PAVAN!!

Olá meus caros e minhas caras,

este blog tem a finalidade de proporcionar um auxílio extra sala de aula, pois nossas aulas são muito espaçadas e pode haver dúvidas que necessitem ser resolvidas para entrega de trabalhos, simulados, e avaliações em geral. Desde já agradeço as visitas!!

Atenciosamente

Moacir


APROVEITEM!!!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

9º A e B - A crise do capitalismo liberal - 1º Bimestre (2016)

Vídeo Clássico

Um gênio do cinema, criticou o capital e um ditador insano com suas obras de arte visual (filme mudo)


Introdução 


O período Entre Guerras é uma fase da História do século XX que vai do final da Primeira Guerra Mundial até o início da Segunda Guerra Mundial, ou seja, entre 1918 a 1939. Este período é marcado por vários acontecimentos mundiais de extrema importância para entendermos a História mundial dos anos seguintes.


Os fatos históricos mais importantes deste período:


Tratado de Versalhes (1919) – impôs várias sanções e restrições à Alemanha, tais como: perda de colônias na África, entrega da região da Alsácia Lorena à França, limitação do exército alemão, pagamento de indenização pelas perdas provocadas aos aliados.

Fascismo na Itália – os fascistas ganham força na Itália sob a liderança de Benito Mussolini. Em 1922 ocorre a Marcha sobre Roma e os fascistas assumem o poder na Itália.

Em 1929 é assinado o Tratado de Latrão na Itália. Neste documento o papa Pio XI reconhece a Itália como país e Mussolini concede ao Vaticano a soberania como Estado Independente.

Em 1929 ocorre a Quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque e a crise econômica afeta a economia de vários países do mundo todo, inclusive a brasileira.

Nas eleições parlamentares alemãs de 1930, o Partido Nacional Socialista (nazista) torna-se o partido com maior representação no Parlamento Alemão. Em 1933, Adolf Hitler torna-se chanceler da Alemanha e começa a implantar o regime nazista na Alemanha e, futuramente nos países ocupados.

Em 1933, entra em vigor o “New Deal”, plano econômico criado pelo governo Roosevelt para tirar a economia norte americana da recessão.

Em 1936 tem início a Guerra Civil Espanhola. No ano seguinte, aviões alemães bombardeiam a cidade espanhola de Guernica. Era o apoio de Hitler aos franquistas contra os republicanos.

Em 1938, a Alemanha anexa a Áustria. No ano seguinte, a Polônia é invadida pela Alemanha. França e Inglaterra declaram guerra à Alemanha. Começa a Segunda Guerra Mundial.

EUA

O entre-guerras, período compreendido entre o término da Primeira Guerra Mundial (1918) e o início da Segunda Guerra Mundial, foi marcado por crises econômicas, políticas e sociais em vários países. Quando o primeiro conflito mundial terminou, os EUA era uma nação poderosa, a mais rica do mundo. Assim, em 1918, novamente a presença americana era flagrante. Empréstimos e mais empréstimos foram contratados pelos europeus visando à reconstrução dos países destruídos. Esses fatores condicionaram aos EUA uma prosperidade sem precedentes. Um período de grande abundância gerou uma idêntica euforia social. Os empresários americanos nadavam em capitais.

Exportava também o "modelo de homens de negócios", o Self-made-mam. Aquele empreendedor, que, saindo das camadas humildes da população, competentemente prosperou. Toda essa riqueza gerou, nos EUA, um novo ideal de vida ou um novo estilo de vida americano, o "american way of life". Estilo de vida baseado na febre de consumo de produtos industrializados. Mas essa abundância era ilusória, pelo menos para a maioria do povo norte-americano.

Uma prosperidade vulnerável... Para alimentar o sonho americano, milhares de pessoas especulavam na bolsa de valores, as empresas supervalorizavam os seus papéis. Na medida em que a Europa se recuperava dependia cada vez menos das importações americanas. Os capitalistas pagavam salários baixos e o número de miseráveis aumentava cada vez mais. No entanto, em 1929, conheceram uma profunda crise, com a queda da bolsa de valores de Nova York, que gerou, por sua vez, uma gravíssima crise interna, provocando alto índice de desemprego e acabando por afetar vários países.

A superprodução provocada pelo subconsumo, a queda geral dos preços e a especulação geraram uma crise sem precedentes: a queda da bolsa de valores. Em setembro de 1929, o valor das ações começou a oscilar; de repente subia, logo em seguida caía. No mês seguinte, só houve queda, e os investidores queriam livrar-se das ações vendendo-as rapidamente. No dia 24 de outubro, conhecido como a “quinta-feira negra”, houve pânico na Bolsa. Cerca de 13 milhões de ações foram negociadas a qualquer preço, em um único pregão. De uma hora para outra, milhares de investidores viram-se na miséria.

A crise desenvolveu-se numa reação em cadeia. O crash financeiro acentuou a crise industrial, desaparecendo qualquer possibilidade de recuperação. Foi necessário reduzir a produção e abaixamento de salários dos que continuavam trabalhando. Por volta de 1933, mais de 14 milhões de norte-americanos estavam desempregados.
O maior período de crise econômica mundial ocorreu entre os anos de 1929 e 1933. Atingiu, em primeiro lugar, a economia norte-americana, espalhando-se em seguida para a Europa e os países da África , Ásia e América Latina.

Mas o que caracteriza uma crise econômica? 
Quais as conseqüências da crise de 29? 
E quais as causas?

Uma crise econômica é, basicamente, um desequilíbrio entre produção e consumo, quase sempre localizado em setores isolados da economia. Esses desequilíbrios sempre ocorreram, mesmo antes do capitalismo , quando acontecia, por exemplo, a escassez súbita de um bem, provocada, quase sempre, por fatores naturais (secas, inundações, epidemias, etc.) ou acontecimentos sociais (guerras, revoluções , etc.).

Na história do capitalismo, as crises econômicas se caracterizam, inicialmente, pelo excesso de produção em relação à demanda (há mais produtos do que consumidores dispostos a adquiri-los). Esse excesso de produção quase sempre ocorre, primeiro, no setor de bens de capital (bens que servem para a produção de outros bens, especialmente de consumo, como, por exemplo, máquinas, equipamentos, materiais de construção, instalações industriais, etc.), para depois migrar ao setor de bens de consumo (por exemplo, automóveis, eletrodomésticos, etc.). Em conseqüência, há uma queda brusca na produção, falência de empresas, desemprego em massa – e a conseqüente redução de salários, preços e lucros. 

Processo cíclico

Essas crises fazem parte do processo cíclico que o desenvolvimento econômico segue – um processo cíclico dividido em várias fases.

Imaginando que o processo de desenvolvimento tem uma linha de equilíbrio, a economia oscila, permanentemente, de um ponto abaixo dessa linha para um ponto acima. 

A economia não é, portanto, uma força estática, mas, sim, um conjunto de forças em movimento, produzindo riqueza e migrando de uma fase de recuperação para outra, de expansão, quando ocorre aumento dos investimentos, há maior número de empregos e a soma dos salários aumenta, provocando o crescimento do consumo. Surge, então, uma fase de prosperidade, o que muitos chamam de boom, uma expansão rápida e abrangente da atividade econômica.

A partir desse ponto, contudo, ocorre um aumento crescente dos preços, o mercado de capitais (constituído pelas bolsas de valores e instituições financeiras – como bancos e companhias de seguros -, responsáveis pela negociação de papéis como ações e títulos diversos) se desorganiza por algum motivo, e a economia entra numa fase de contração, com as taxas de crescimento decrescendo. 

A atividade econômica segue, então, para um ponto abaixo da linha de equilíbrio, o desemprego retorna, a capacidade produtiva cai e os investimentos se restringem. 

São, portanto, flutuações periódicas e alternadas de expansão e contração da atividade econômica (em um país ou conjunto de países), e podem ocorrer com diferentes intensidades. Podem ser curtas e de rápida recuperação – ou podem se estender por anos, gerando graves problemas sociais.

Crises fazem parte da economia. Sejam pequenos solavancos ou grandes terremotos, suas causas dividem os estudiosos – e suas conseqüências podem ser muito diferentes, pois dependem de como os governos e o próprio mercado reagem aos fatos.

Especulação, desconfiança e pânico

A crise de 1929 teve início no sistema financeiro (o segmento do sistema econômico formado pelo conjunto de instituições públicas e privadas especializadas em viabilizar a compra e venda de ações e títulos diversos), na chamada Quinta-Feira Negra, em 24 de outubro de 1929, que a história registra como um dia de pânico na Bolsa de Nova York.

Era um momento de euforia, de intensa especulação na Bolsa. Quando dizemos “especulação” nos referimos às operações financeiras que visam obter lucros com a compra e venda de papéis cujo valor oscila conforme o desempenho do mercado. Os valores desses papéis estavam em um nível elevadíssimo, despropositado, fora da realidade. 

De repente, naquela quinta-feira, 70 milhões de títulos foram jogados no mercado, mas não encontraram quem os comprasse. Sem demanda pelos papéis, os preços das ações e dos títulos em negociação despencaram, gerando uma inacreditável onda de desconfiança, completamente irracional, e produzindo uma reação em cadeia sem precedentes.

A desconfiança com os acontecimentos da Bolsa espalhou-se para outros ramos da atividade econômica, atingindo a produção. Os bancos congelaram os empréstimos, as fábricas começaram a parar por falta de crédito, a renda nacional passou a cair, a demanda se retraiu ainda mais, as empresas se viram com estoques enormes, os preços dos produtos caíram vertiginosamente e os lucros despencaram. 

A economia começou a ficar paralisada e, como uma bola de neve, as falências se sucederam e milhões de trabalhadores perderam os empregos.

Quando a crise atingiu proporções internacionais, o comércio mundial ficou reduzido a um terço do que era antes de 1929. No Brasil , o principal efeito da crise manifestou-se na queda vertical dos preços de café, levando o governo federal a comprar grande parte das safras e destruir 80 milhões de sacas do produto, para diminuir os estoques e tentar aumentar o preço.

Tentando proteger suas próprias economias, os países aumentaram as taxas alfandegárias, o que reduziu ainda mais o comércio internacional. E, em todas as economias, coube ao Estado instituir mecanismos para controlar a crise e reativar a produção. 

A crise atingiu outros países

A crise de 1929 acabou afetando vários países do mundo. Na Europa, muitas nações dependiam do crédito norte-americano e, quando este foi suspenso, sofreram forte abalo. Houve fechamento de bancos, falências, desvalorização da moeda e desemprego. No início da década de 30, o número de pessoas desempregadas no mundo estava em torno de 40 milhões. Os países desesperados para se safarem, tomaram medidas várias. Alguns como Alemanha e Itália tiveram que adotar regimes autoritários para conseguirem implementar medidas impopulares. A confusão provocada pela crise criou, na Europa, o clima responsável pela eclosão da Segunda Guerra Mundial. O Brasil também foi afetado pela crise de 1929. O café, principal produto de exportação, tinha nos Estados Unidos o seu maior comprador. Com a crise, os norte-americanos reduziram as compras e os estoques de café aumentaram, provocando a queda do preço e transformações políticas, sociais e econômicas no Brasil.





NEW DEAL: a reação norte-americana

Em 1932, 0 povo norte-americano elegeu Franklin Delano Roosevelt para presidente dos Estados Unidos. Roosevelt propôs uma novidade: o abandono do velho liberalismo econômico. Para salvar o capitalismo em crise, era preciso botar o Estado intervindo fortemente na economia. Foi isso que Roosevelt fez. Seu plano econômico chamava-se New Deal (Novo Acordo ou Novo Tratamento)  surgiu com base no pensamento do economista John Maynard Keynes , segundo o qual, em determinados períodos, o Estado deve intervir na economia, regulando-a, e acabou sendo imitado por quase todos os países do mundo. 

Nos Estados Unidos , contudo, o presidente Herbert Hoover manteve-se inflexível, preferindo deixar que o próprio mercado se regulasse, auto-saneando seu desequilíbrio, uma tese defendida pelos liberais radicais, mas que provocou uma crise social sem precedentes. Só em 1933, com a eleição de Franklin Delano Roosevelt , é que se aplicou de forma contundente a intervenção do Estado na economia, por meio de um programa chamado New Deal.

Foi o que Roosevelt fez, intervindo em todo o sistema produtivo. Primeiro, criou um audacioso plano de obras públicas, com o objetivo de garantir empregos à população. Depois, controlou o sistema financeiro e desvalorizou o dólar, para favorecer as exportações. Também criou a Previdência Social, a fim de proteger os trabalhadores, e a Administração de Recuperação Nacional, com o objetivo de induzir os empresários a estabelecer entre si acordos sobre preços, salários e programas de produção, eliminando a livre concorrência.

O controle estatal também se estendeu aos investimentos, pois os lucros das aplicações em ações, títulos ou fundos começaram a ser taxados. As horas de trabalho foram diminuídas e os salários tiveram de permanecer no mesmo patamar. Foi criado um salário mínimo nacional. Ao mesmo tempo, o governo assumiu as dívidas dos pequenos proprietários e ofereceu facilidades de crédito e prêmios para fazendeiros que alcançassem as metas de produção estabelecidas pelo Estado.

Ainda que tenha sofrido severas críticas, o plano de Roosevelt fortaleceu e consolidou o sistema capitalista nos EUA. Nos anos de sua aplicação, o grande capital passou por um intenso processo de desenvolvimento e concentração, enquanto pequenas empresas eram eliminadas ou absorvidas.
Em primeiro lugar, o governo tentou planejar um pouco a economia. Ou seja, em vez de deixar o mercado aquele caos absoluto, o Estado passou a vigiar de perto, disciplinar os empresários, corrigindo os investimentos arriscados, fiscalizando as loucuras especulativas nas bolsas de valores.

Outra medida fundamental foi a criação de um vasto programa de obras públicas. O governo norte-americano criou empresas estatais e também contratou empresas privadas para fazerem estradas, praças, barragens, canais de irrigação, escolas públicas, etc. Ao fazer a obra pública o governo também oportunizou emprego para milhões de trabalhadores.


Al Capone

Alphonse Gabriel Capone também conhecido como “Scarface” (cara cortada) foi um gangster e contrabandista estadunidense (seus pais eram italianos), e ficou famoso mundialmente como Al Capone. Capone nasceu em Nova York, no dia 17 de janeiro de 1899, e foi criado no Brooklyn, onde estudou até os nove anos. Abandonou os estudos para integrar as quadrilhas da cidade. Ingressou rapidamente na Five Points Gang, liderada por Johnny Torrio, gangster que ,em 1909, foi para Chicago para trabalhar sob as ordens de Big Jim Colosimo.

Johnny Torrio começou a liderar a quadrilha depois de ordenar o assassinato de seu chefe, não se sabe ao certo se eliminado por Capone ou Frankie Yale. De qualquer forma, Torrio confiou a Capone, durante a década de 1920, a organização da direção do bando, dedicado a exploração da prostituição, do jogo ilegal e do tráfico de álcool. 

Lei Seca

Assista e entenda
Ou AQUI!

Preste atenção!!


O New Deal criou leis sociais que protegiam os trabalhadores e os desempregados. No começo esse ponto foi rejeitado pelos empresários. Sem entender direito, eles chegaram ao absurdo de acusar Roosevelt de comunista. Na verdade, era um homem que via longe. Percebeu que para salvar o capitalismo da crise era necessário assegurar um mínimo de consumo por parte dos trabalhadores. O sistema não poderia continuar funcionando se os operários não pudessem colher alguns benefícios do crescimento econômico.

Outras medidas pareceram irracionais. Por exemplo, o governo comprava estoques de cereais e mandava queimar. Ou então pagava aos agricultores para que não produzissem. Que loucura! Milhões de pessoas passando fome e o governo destruindo comida! Bem, não era tão irracional assim. O New Deal apenas seguia a lógica capitalista, ou seja, era preciso acabar com a superprodução de qualquer jeito.

O New Deal deu certo? Nos primeiros anos, só um pouco. Depois a coisa foi melhorando com menor intensidade. No final, a economia dos EUA só voltou a se recuperar mesmo a partir da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Se você parar para pensar, pode concluir uma coisa tenebrosa: foi a guerra que resolveu de vez o problema da crise capitalista de 29?
Foi, a guerra fez os governos encomendarem quantidades gigantescas de aço, máquinas, peças, mobilizando toda a indústria. Além disso, a guerra resolveu o problema do desemprego de modo arrepiante: milhões de desempregados morreram nos campos de batalha.
Que coisa, não? 
Será que no mundo atual ainda corremos o risco de outra guerra mundial para salvar a economia capitalista da crise?
Acompanhe os noticiários e blogs sujos da internet. KKKK!!


Mercado insaciável


Os estudiosos divergem em relação às causas do crash (colapso súbito e total) da Bolsa em 1929 e à crise que o sucedeu. Para alguns, a economia estava superaquecida, pois os empréstimos haviam saltado de 2 bilhões de dólares (em 1926) para quase 7 bilhões em outubro de 1929. Outros apontam para a alta dependência do consumo na economia norte-americana. E há também os que chamam a atenção para o fato de que a crise da economia teria começado bem antes do crash do mercado de ações, pois a produção da indústria já se encontrava em declínio (a produção de automóveis, por exemplo, declinara de 600 mil unidades em março de 1929 para 300 mil em outubro). 

Se não há um consenso sobre as causas, é certo que o mercado de ações se comportava de maneira esquizofrênica, alucinada e insaciável, sem atentar para a economia real. É como se os preços das ações estivessem muito acima do efetivo valor das empresas. O dinheiro, então, era desviado da produção para reforçar ainda mais os negócios com títulos ou ações, ou seja, para reforçar a especulação. 

De qualquer forma, o período de 1929 a 1933 deixa uma lição: os mercados vivem crises periódicas – e se não ocorrem respostas rápidas para os problemas, essas crises tendem a se alastrar, afetando vários setores da economia e podendo alcançar um poder de destruição em massa. 

Mas esses momentos de colapso, cuja vocação é se repetir de tempos em tempos, nos fazem lembrar do alerta de Adam Smith : “Examine os registros históricos, reúna o que aconteceu dentro do âmbito de sua própria experiência, considere com atenção qual tem sido a conduta de quase todos os grandes desafortunados, seja na vida privada ou na pública, sobre os quais você pode ter lido, ou dos quais pode ter ouvido falar ou ter se lembrado; e descobrirá que os infortúnios, em sua grande maioria, surgiram do fato de eles não saberem quando estavam bem, quando era melhor sentarem-se tranquilos e ficar contentes”

Para quem tem curiosidade de descobrir algo que é tão escandaloso, que acaba ficando secreto!

História Federal Reserve

Há uns anos atrás li um excelente livro de William Greider, publicado em 1987, acerca do funcionamento do Sistema da Reserva Federal dos EUA. É minucioso e explícito e proporciona uma leitura agradável e informativa, à excepção da solução que apresenta para o terrível problema que expõe... é demasiado tímida. Este artigo visa propor uma solução bem diferente. Greider chamou ao seu livro “Segredos do Templo”, com o subtítulo “A Forma Como a Reserva Federal Governa o País”. Um subtítulo mais apropriado teria sido a forma como o Fed (e outros bancos chave centrais) governa o mundo. Este artigo tentará sintetizar o que é que o banco faz, como é que ele o faz, em benefício de quem e às custas de quem. Os que não estiverem a par destes assuntos, ficarão chocados com algumas das informações e comentários que se seguem.

Texto completo AQUI e o crítico AQUI.


MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A CRISE

Crise do capitalismo

Papel moeda

Lastro e outros termos

O padrão ouro e suas consequências no Brasil

Filmes indicados:

Documentário

Documentário 2 (em portugues de Portugal)

Livros indicados:

A Crise de 1929 - Col. L&pm Pocket Encyplopaedia
Autor: GAZIER , BERNARD
Editora: L&PM

1929 - A Grande Crise
Autor: Galbraith, Jonh Kenneth
Editora: Larousse Brasil

O Crash de 1929 - As Lições que Ficaram da Grande Depressão
Autor: Parker, Selwyn
Editora: Globo Editora

1929 - A Crise que Mudou o Mundo
Autor: Brener, Jayme
Editora: Ática

Economia Internacional Contemporânea - Da Depressão de 1929 ao Colapso Financeiro de 2008
Autor: Souza, Nilson Araujo
Editora: ATLAS

24 de Outubro de 1929 a Quebra da Bolsa de Nova York e a Grande Depressão
Autor: Pereira, Wagner Pinheiro
Editora: Nacional

RESUMASSO!!!

- saldo (para a Europa) da Primeira Guerra Mundial: prejuízos, destruição, desemprego, crise.
- saldo para os EUA: crescimento econômico, “American Way of Life”
- O Crack da Bolsa de Valores de New York (1929): crise de 1929 afeta o mundo
- Plano New Deal (Roosevelt) – fim da crise: investimento em obras públicas, empregos, controle da produção .

Próxima assunto (conexões)

Surgimento do Fascismo e do Nazismo:
- Nazismo (Alemanha): líder Adolf Hitler
- Fascismo (Itália): líder Mussolini

Princípios:
-Totalitarismo;
- Nacionalismo;
- Militarismo;
- Culto à força física;
- Propaganda.

Fascismo na Itália:
-Itália: não recebeu territórios após a Primeira Guerra Mundial;
-crise: camponeses e operários;
-Mussolini (Duce = líder em italiano): prendeu e matou opositores, censura a imprensa e tirou a Itália da crise.

Nazismo na Alemanha:
- crise moral e econômica no pós Primeira Guerra Mundial;
- 1934: Hitler chega ao poder com a ideia de construir um império;
- propaganda nazista, controle da população, perseguição aos judeus, ciganos, opositores.


TREINANDO!!!!!

Lista 

  1. AQUI
  2. AQUI;
  3. AQUI;
  4. AQUI.

01) O período entre as duas guerras mundiais (1919 - 1939) foi marcado por:
a) crise do capitalismo, do liberalismo e da democracia e polarização ideológica entre fascismo e comunismo;
b) sucesso do capitalismo, do liberalismo e da democracia e coexistência fraterna entre fascismo e comunismo;
c) estagnação das economias socialistas e capitalistas e aliança entre os EUA e a URSS para deter o avanço fascista da Europa;
d) prosperidade das economias capitalistas e socialistas e aparecimento da Guerra fria entre os EUA e a URSS;
e) coexistência pacífica entre os blocos americano e soviético e surgimento do capitalismo monopolista.

02) O nazismo e o fascismo surgiram:
a) do desenvolvimento de partidos nacionalistas, com pregações em favor de um Executivo forte, totalitário, com o objetivo de solucionar crises generalizadas diante da desorganização surgida após a Primeira Guerra;
b) da esperança de conseguir estabilidade com a união das "doutrinas liberais" de tendências individualistas;
c) com a instituição do parlamentarismo na Itália e na Alemanha, agregando partidos populares;
d) com o enfraquecimento da alta burguesia e o apoio do governo às camadas lideradas pelos sindicatos socialistas;
e) do coletivismo pregado pelos marxistas.

03) Em seu famoso painel Guernica, Picasso registrou a trágica destruição dessa cidade basca por:
a) ataques de tropas nazistas durante a Segunda Guerra Mundial;
b) republicanos espanhóis apoiados pela União Soviética durante a Guerra Civil;
c) forças do Exército Francês durante a Primeira Guerra Mundial;
d) tropas do governo espanhol para sufocar a revolta dos separatistas bascos;
e) bombardeio da aviação alemã em apoio ao general Franco contra os republicanos.

04) "Mas um socialismo liberado do elemento democrático e cosmopolita cai como uma luva para o nacionalismo." Esta frase de Charles Maurras, dirigente da Action Française, permite aproximar pensamento da ideologia:
a) fascista
b) liberal
c) socialista
d) comunista
e) democrática

05) A Guerra Civil Espanhola (1936 - 1939), em que mais de 1 milhão de pessoas perdeu a vida, terminou com a derrota dos republicanos e com a subida ao poder do general Francisco Franco. O Estado Espanhol, após a vitória de Franco, caracterizou-se como:
a) democrático com tendências capitalistas;
b) democrático com tendências socialistas;
c) populista de esquerda;
d) totalitário de direita;
e) totalitário de esquerda.

06) Entre as duas Guerras Mundiais (1919 - 1939), ocorreram alguns fatos históricos relevantes. Merecem destaque a:
a) ascensão da República de Weimar, a eclosão da Guerra da Coréia e a proclamação da república do Egito;
b) quebra da Bolsa de Nova Yorque, a proclamação da República Popular da China e a criação do estado de Israel;
c) deflagração da guerra entre Grécia e Turquia, a eleição de presidentes socialistas na França e em Portugal e a constituição do Pacto de Varsóvia;
d) ascensão do nazismo na Alemanha, o início da Nova Política Econômica na Rússia e a deflagração da Guerra Civil na Espanha;
e) ascensão do fascismo italiano, a criação do Mercado Comum Europeu e a invasão do Afeganistão pela União Soviética.

07) A ascensão de Hitler ao poder, no início dos anos trinta, ocorreu:
a) pelas mãos do Exército Alemão, que quis desforrar-se das humilhações impostas pelo Tratado de Versalhes;
b) através de uma ação golpista, cuja ponta de lança foram as forças paramilitares do Partido Nazista;
c) em conseqüência de uma aliança entre os nazistas e os comunistas;
d) a partir de sua convocação pelo presidente Hindenburg para chefiar uma coalizão governamental;
e) através de uma mobilização semelhante à que ocorreu na Itália, com a marcha de Mussolini sobre Roma.

08) 1. "Ao contrário das velhas organizações que vivem fora do Estado, os nossos sindicatos fazem parte do Estado." (Mussolini)
2. "Defender os produtores significa combater os parasitas. Os parasitas do sangue, em primeiro lugar os socialistas, e os parasitas do trabalho, que podem ser burgueses ou socialistas." (Mussolini)
3. "Mesmo neste momento, tenho a sublime esperança de que um dia chegará a hora em que essas tropas desordenadas se transformarão em batalhões, os batalhões em regimentos e os regimentos em divisões." (Hitler)
4. "Aqueles que governam devem saber que têm o direito de governar porque pertencem a uma raça superior." (Hitler)
Nas citações acima, encontramos algumas das principais características do nazismo e do fascismo. Identifique-as, ordenadamente, nas alternativas abaixo:
a) Expansionismo, nacionalismo, romantismo, idealismo.
b) Corporativismo, anticomunismo, militarismo, racismo.
c) Totalitarismo, socialismo, esquadrismo, anti-semitismo.
d) Liberalismo, comunismo, antimilitarismo, corporativismo.
e) Pacifismo, não-intervencionsimo, industrialismo, anti-semitismo.

09) Por mais de um século, a Espanha estivera dividida entre grupos hostis de reacionários, monarquistas e religiosos de um lado, e liberais burgueses, anticlericais e socialistas do outro. Em 1931, uma revolução instalou a República e foram promulgadas severas leis contra o Exército, os latifundiários e a Igreja. Em julho de 1936, no entanto, irrompeu a contra-revolução, levando a uma guerra civil que se prolongou por cerca de três anos e que teve como principal conseqüência:
a) a vitória das forças democráticas e da monarquia parlamentar sob o comando do rei Juan Carlos;
b) a ascensão do socialismo, que vigorou até meados da década de 70;
c) a implantação do franquismo, com o apoio da Itália e da Alemanha;
d) o triunfo das forças populares, que levou à união nacional e pôs fim às rivalidades entre os habitantes do país;
e) o enfraquecimento da Espanha e sua submissão à França e Inglaterra.

10) "Quando a crise estourou, o governo do presidente Hoover, do Partido Republicano, adotou uma atitude passiva, de acordo com o sistema liberal dominante nos Estados Unidos. Mas os anos passaram e a crise permaneceu. Viu-se então que os empresários americanos e o governo republicano que os representava não seriam capazes de solucioná-la. Nas eleições presidenciais, os republicanos apresentaram a candidatura de Herbert Hoover à reeleição, mas ele foi derrotado pelo candidato dos democratas."
O candidato vencedor foi:
a) John Kennedy
b) George Washington
c) Woodrow Wilson
d) Fraklin Roosevelt
e) Harry Truman

11) No período entre-guerras (1919-1939), as dificuldades econômicas e sociais geradas pela crise do capitalismo, somadas às conseqüências da Revolução Russa de 1917, constituíram o quadro em que se revelaremos descontentamentos com a situação vigente. Nessa época o capitalismo foi questionado, variando, contudo, as interpretações quanto às soluções a serem adotadas; a fascista e a socialista. Porém, ambas tinham em comum a oposição:
a) Ao Estado liberal;
b) Ao Nacionalismo;
c) À classe operária;
d) À social-democracia;
e) Ao Estado Intervencionista.

12) A crise econômica iniciada em 1929, nos Estados Unidos, e que se propagou por vários outros países, desarticulando a economia internacional no seu conjunto, representou a negação dos princípios liberais que se encontravam fortemente enraizados na sociedade norte-americana. Sobre a depressão econômica dos anos trinta, é correto afirmar, EXCETO:
a) O forte processo de concentração empresarial determina o controle do mercado por grandes corporações, o que representa importante fator de desarticulação da economia.
b) Reduz drasticamente o volume do comércio externo, provocando a queda da produção mundial e desorganização do mercado internacional.
c) Há manifestação de uma desenfreada ciranda especulativa, superaquecendo as Bolsas de Valores e desviando o capital de seu circuito natural de reprodução.
d) Apresenta um caráter praticamente universal, atingindo diretamente ou não vários países e atuando sobre os mais diversos setores da economia.
e) Trata-se de uma crise causada pela escassez generalizada de mercadorias, manifestando-se através da elevação acentuada dos preços, gerando um violento surto inflacionário.

13) A solução americana para a crise de 1929 caracteriza-se como:
a) O processo de busca de alternativas socialistas para a crise do capitalismo com a mudança de regime político.
b) O resultado das pressões comunistas sobre o governo americano, que acaba assumindo, como política, a eliminação dos interesse privados na economia.
c) O resultado da insatisfação da sociedade americana com relação aos princípios liberais assumidos pelos partidos de esquerda que se vinculavam ao governo.
d) A introdução, na cultura americana, de valores europeus através da incorporação de tecnologia à economia americana e de alternativas de seguridade total.
e) Uma saída nacional que acentua o papel dirigente do Estado em determinados setores econômicos, conhecida como “New Deal”.


Gabarito:

1) A
2) A
3) E
4) A
5) D
6) D
7) D
8) B
9) C
10) D
11) A
12) E
13) E


ESTUDEM!!!


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

IDENTIFICAÇÃO COM O CURSINHO HERBERT!!

por André Camargo

Foi a terceira ocupação que visitei.
Sabe, tem muita gente — inclusive pessoas inteligentes— vomitando bosta pelas redes sociais, sem nunca ter se aproximado para conhecer essa molecada.
Sem nunca ter entrado em uma escola pública.
Gente que, em sua prepotência cínica, descompromissada, acaba legitimando o Estado em sua face mais autoritária. O Estado em guerra declarada contra a Sociedade Civil.
Justificam cinicamente a famigerada truculência covarde, descabida, da PM — uma das polícias que mais matam no mundo — contra meninos, meninas, jornalistas e quem mais estiver por perto.
Esse é um mecanismo psíquico conhecido: você culpabiliza as vítimas e se identifica com o agressor.
Foi assim, por exemplo, com os judeus recrutados pelos nazistas como guardas, nos campos de concentração. Ou os tibetanos aliciados pela ditadura comunista chinesa. Eles se tornaram ainda mais cruéis contra seu povo que os opressores estrangeiros.
Será que algo assim está acontecendo com você?
Ao invés de perceber que a luta deles é a nossa, você chama adolescentes corajosos, que aceitam tomar porrada para lutar por uma educação de qualidade, de vândalos e vagabundos?
Mas a gente precisa se informar melhor, para não embarcar na visão corporativista, vendida, da mídia de massas. Ou nas táticas de guerrilha de burocratas calculistas.
“Desqualificar, desmobilizar, desmoralizar” - nas palavras do Chefe de Gabinete de Alckmin a dirigentes de Ensino

Acredito que o que a molecada nos disse lá na ocupação precisa ser ouvido por muita gente. Pelos menos por quem ainda tem algum vestígio de coração humano batendo no peito.
(Porque para aqueles dentre nós que são tão psicopatas quanto o policial que sorri de prazer ao esganar um moleque franzino, aí não adianta nada, mesmo. Melhor nem ler.)
Bom, vou contar a história deles.

A escola estadual fica dentro do terreno de uma igreja católica (!). Para chegar até ela, precisa passar por uma portaria. A escola tem o nome de um padre.
O prédio — um galpão improvisado e dois blocos com a conhecida arquitetura penitenciária (feita de salas apertadas e corredores escuros)— foi construído por meio de doações da comunidade. A Igreja aluga o imóvel para o Estado.
Somos atendidos por uma mãe. Ela bate no portão por um tempo até que um estudante venha abrir.
Sensação de abandono. A negligência se expressa por salas sem ventiladores (que devem ficar intoleráveis no calor), poucas janelas cobertas de grades, pintura descascada, cortinas rasgadas e mobiliário quebrado. No lugar de interruptores, fios elétricos expostos, desencapados. Quadro de força sem a portinha de proteção.
(Sabe, se você tentar abrir uma escola, vai passar por uma série de vistorias meticulosas, até que atenda a todas as exigências da Secretaria de Educação. Cada detalhe é minuciosamente verificado. No entanto, ali estavam situações flagrantes de jovens submetidos a real perigo de morte, sem qualquer atenção.)
Como pode?
O Estado passou cerca de cinco anos sem pagar aluguel (de pouco mais de 20 mil reais por mês).
O padre queria o prédio de volta.
Fizeram algum tipo de acordo e o aluguel voltou a ser pago. A escola funcionando, até quadra poliesportiva nova eles ganharam.
Depois, para surpresa geral, a instituição entrou para a lista das 94 que seriam fechadas pelo governo estadual.
Os alunos não conseguiam entender.
Não fazia sentido.
Afinal, nos disseram, aquela escola era uma das mais bem avaliadas da região. Tinha notas acima da média estadual. E o prédio já estava todo adaptado, recebendo crianças e adolescentes com deficiências, que chegavam de várias cidades vizinhas.
Na verdade, a maior parte dos estudantes dali possuem deficiências. E, como enfatizou uma das mães que nos receberam, que apoiava a ocupação, a configuração incomum gerava uma integração orgânica entre quem tinha alguma deficiência e os “normais”.
Muito menos discriminação.
Aprender a conviver com a diferença, ao invés de se relacionar com o outro por meio de preconceitos e estereótipos, isso na formação de um ser humano é vital.
É o que acontecia por lá.

Se a escola fechar, nos disseram, eles não terão para onde ir. Serão remanejados para uma unidade vizinha que não está adaptada. Sem acessibilidade, portanto, para quem tem limitações como as desses meninos e meninas.
A conclusão óbvia é que, em função do plano de “reorganização”, muitas crianças e adolescentes — com ou sem deficiências — acabarão fora da escola.
Então por que fechar?
Não era pelas avaliações. Também não era por falta de relevância social.
Seria para economizar o aluguel e as despesas com pessoal?
Começaram a especular que a decisão poderia ter sido tomada porque a média de alunos por sala (de 25, naquela escola) era inferior à média estadual (40 alunos por sala).
No entanto, não cabem mais de 25 pessoas — espremidas — naquelas salas! Fora isso, nos disseram que no começo do ano a direção da escola recusou matrículas de novos alunos porque não tinham mais vagas.
Ali não havia, decididamente, espaço ocioso. Ao contrário: estavam lotados.
(Imagine que, a exemplo de várias outras escolas, a molecada descobriu, apenas durante a ocupação, que tinham um laboratório, equipamentos caros e uma piscina (!) que não podiam usar. Estavam fechados e trancados…)
Como dói ver esses meninos e meninas submetidos a tamanha violência simbólica! A tanto descaso, cinismo e hipocrisia de gente engravatada, de fala mansa, que só se move por meio de politicagens e negociatas que atendem a sua sede de poder.

Estávamos sentados em uma roda de conversa, eu, a amiga que me convidou para acompanhá-la, o motorista dela, uma mãe, um professor e cerca de doze estudantes. Alguns não eram daquela escola, vinham de outros lugares para apoiá-los.
E foi a partir de um comentário casual que as peças do quebra-cabeças começaram a se encaixar.
O terreno contíguo ao prédio escolar abrigava uma bela mata, que alguns ali disseram ser de espécies nativas.
Assim como o terreno onde foi construída a escola, a mata pertencia à igreja.
Mas a mata seria derrubada.
Aquela propriedade tinha sido vendida pelo padre para a construção de um condomínio.
(Você deve ter reparado, a essa altura, que estou evitando dar nomes. Mas vou dizer só uma coisa: aquele terreno onde vai ser construído o condomínio é vizinho da Granja Viana — uma região próxima à capital de intensa valorização imobiliária...)
Sabe, a comunidade local se revoltou contra o padre. Sentiram-se traídos. Afinal, boa parte daquele terreno era fruto de doações de moradores, sobretudo em função dos projetos sociais da igreja.
Para onde ia o dinheiro
da venda do terreno?
E que tristeza: aquele restinho de mata, trocado por concreto!
Só no final, porém, é que veio a cereja do bolo.
Já tínhamos saído da escola, a caminho do carro. Enquanto nos despedíamos, chegou um professor que, segundo nossas interlocutoras, era quem estava mais por dentro da situação.
Então ele explicou.
O acesso ao local onde ficará o condomínio é complicado. Para quem vem da rodovia, como nós, ele fica atrás da escola, cujos prédios funcionam como uma espécie de paredão para chegar lá em linha reta.
A fim de viabilizar o empreendimento, eles vão precisar construir uma estrada decente, que ligue a rodovia à entrada do condomínio.
Uma estrada que terá de passar, inevitavelmente,…
...por dentro do terreno da escola.
Aí eu olhei naquela direção e não vi espaço suficiente para estrada nenhuma. Perguntei como eles pretendiam fazer.
O professor recém-chegado apontou com o dedo o prédio de três andares que se estendia por uns 50 metros, do lado direito, próximo ao muro que separava a escola das casas do bairro.
Era o bloco de salas de aulas que a gente tinha visitado.
“Tá vendo aquela coluna? A estrada vai passar por ali. Eles vão ter que derrubar.”
Eu demorei para entender.
“Mas derrubar, como?!? O prédio inteiro?”
“É. O prédio inteiro.”


A escola não é o prédio. Não é o espaço físico. Com todos os seus defeitos, ainda assim, é a comunidade de pessoas que esteve, está e estará reunida em torno de um sonho compartilhado de formação humana.
São histórias e lembranças. Narrativas e memórias. Esperanças de um futuro melhor. É ao mesmo tempo uma presença coletiva e um organismo vivo com o potencial de humanizar bairros e cidades.
Ao derrubar o prédio, porém, essas pessoas — e suas famílias — ficam desalojadas, como quando pisamos em um formigueiro.
Fechar escolas não é apenas derrubar ou trancar prédios; é como passar com um trator de aço por sobre matas centenárias, privando-nos do oxigênio que alimenta a vida, com o objetivo único de transformar o terreno ceifado em lucros privados.

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Fonte: https://www.linkedin.com/in/andr%C3%A9-camargo-costa-b527a03a